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sábado, 3 de outubro de 2009

COM CERCO À VENDA DO LEITE IN NATURA, PRODUTORES PODEM FORMAR COOPERATIVA

Pequenos produtores de leite e leiteiros participaram de uma reunião no auditório do Sindicato Rural de Itumbiara na última quarta-feira para discutir a venda do leite in natura, também chamado de leite cru ou leite gordo, nas ruas da cidade. No início da semana, a Vigilância Sanitária Municipal, com apoio da PM, realizou uma blitz nas estradas vicinais do município, abordando os leiteiros que fazem a comercialização do produto.

Eles foram notificados a comparecer na reunião, onde ouviram explanações feitas pelo promotor de justiça Reuder Cavalcante Motta, da Curadoria de Defesa do Consumidor, do presidente do sindicato, Rogério de Oliveira e de representantes da Vigilância Sanitária Municipal, Agrodefesa, AgênciaRural (Emater) e ainda do advogado Flávio Partata.

Cerca de 70 produtores e leiteiros participaram da reunião, onde receberam orientação sobre a higienização, alimentação dos animais, contaminação do leite e doenças que podem ser transmitidas ao homem através do leite que não passa pelo processo de pasteurização, resfriamento e o chamado “choque térmico”. De acordo com a VISA, após ser ordenhado, o leite deve ser resfriado em até 3h, para evitar a contaminação. Segundo as autoridades, a venda nos moldes que é feita hoje, em garrafas PET, sem o resfriamento e condições adequadas de higiene, não será permitida.

Solução

A ideia mais viável apresentada na reunião foi a criação de uma cooperativa de micro produtores de leite do município, para que o produto seja beneficiado com o choque térmico, envasado e distribuído para a comunidade nas embalagens de saquinho (barriga mole), seguindo as exigências das autoridades sanitárias. Rogério de Oliveira falou sobre uma experiência que conheceu nos municípios de Nerópolis e Nova Veneza, onde os produtores se associaram, construíram um centro de recepção e fazem o beneficiamento do leite, que depois é vendido no comércio.

Desta forma, o produtor que entrega 100 litros in natura recebe o produto de volta, em saquinhos plásticos acondicionados em caixas térmicas e em seguida inicia a comercialização com seus próprios clientes. A renda é complementada com a produção de iogurte, doce e outros derivados do leite. Atualmente, o leite cru é vendido a cerca de R$ 1,20 na cidade e com o processamento, teria uma reajuste de aproximadamente 10 a 20%.

Foi apresentada uma planilha de custos para aquisição de maquinário, estrutura e embalagens e o presidente do Sindicato Rural aventou a possibilidade de buscar linhas de crédito e financiamentos, inclusive junto ao governo federal para viabilizar o projeto, como o Pronaf Mais Alimentos.

Assembleia

Uma segunda reunião foi marcada para o dia 14 de outubro, às 16h, no Sindicato Rural. De acordo com o promotor Reuder Cavalcante o tema será aprofundado nas próximas reuniões, trazendo outros palestrantes nas áreas técnica, jurídica e econômica. Ele avalia que a recepção inicial dos micro produtores de leite foi positiva. “Muitos ainda querem estudar melhor a proposta, mas já vêem possibilidade de agregar valor ao produto e aumentar a renda”. Ele estima que, por baixo, o mercado de leite cru movimenta cerca de R$ 1,2 milhão por ano em Itumbiara, tendo em vista que no primeiro dia da blitz, que foi apenas parcial, foram identificados mais de 3 mil litros. Mas o potencial de crescimento do mercado é muito maior, pois a cidade recebe entre 7 a 10 mil litros de leite/dia de municípios vizinhos, conforme estimativa da Agrodefesa. Assim, se o projeto da cooperativa der certo, podem vender até 10 mil litros por dia, além dos derivados, como doces, queijos e outros produtos.

Indagado sobre qual será o posicionamento do MP caso a proposta não seja levada adiante, o promotor foi enfático, afirmando que a tolerância ao descumprimento será inversamente proporcional à movimentação dos produtores em buscar uma solução para o problema. Se mostrarem interesse, o MP será tolerante e vai ajudá-los, contudo, se não houver mobilização e ações práticas, o combate à venda será intensificado. Ele lembra que a comercialização do leite cru é crime e que no caso de adulteração, o infrator pode ser condenado até a 8 anos de prisão.

Fonte: Folha de Notícias

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