Mais uma vez o cerrados piauiense voltou a ser tema de debate no Congresso Nacional. Desta vez durante audiência pública conjunta nas comissões de Legislação Participativa e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, com a participação do ministro do Meio Ambiente Carlos Minc.
Na ocasião, o presidente do Movimento Cerrado Vivo, Paulo Fiúza, lembrou que há pouco o que se comemorar em termos de preservação nas regiões de cerrado. Ele citou casos de desmatamento provocados por carvoarias e lavouras de soja no Piauí como exemplo dos riscos de desaparecimento do bioma, caso não sejam adotadas medidas preventivas.
O ministro do Meio Ambiente também usou casos como esses para justificar, mobilizar e pressionar a aprovação pelo Congresso Nacional da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 115/95, que considera o cerrado como patrimônio nacional.
Desmatamento do cerrado - O cerrado do Piauí representa 37% da extensão territorial do estado, perfazendo uma área de 93 mil Km². Se estende desde o sul até a região norte, sempre acompanhando o rio Parnaíba. É um cerrado de transição (Ecotonal) entre a caatinga e a Amazônia. Mas destes 93 mil Km², 5,4 mil Km² foram destruídos entre os anos de 2002 e 2008, o que faz com que o estado figure dentre aqueles em que mais desmatam a região do cerrados no Brasil.
Segundo o jornal 'O Globo, baseado em dados do Ministério do Meio Ambiente, cerca de 45.604 Km² do cerrado do Piauí, já foi desmatado até 2008, ou seja, quase metade, principalmente, entre as décadas de 70 e 90. Ainda segundo a pasta e o IBAMA, no Brasil, já se perdeu 48,2% do cerrado, com plantações de grãos, criação de gado e pasto.
"Nós não estamos somente preocupado com os bichinhos", disse o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente). "Se as bacias continuarem sendo desmatadas nesse ritmo, vai faltar água para a agricultura e a pro-dução de energia", acrescentou. O cerrado ocupa metade do potencial hídrico do país.
O fato é alarmante em território piauiense, porque o estado tem atraído inúmeros produtores que avaliam ser no Piauí a última fronteira agrícola do país. Por conta desse potencial de desmatamento, o cerrados agora vai ser monitorado como a Amazônia.
Com investimentos previstos de R$ 400 milhões até 2011, o plano entra em consulta pública até 10 de outubro. Em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) será criado o Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo Real) do Cerrado.
Há promessa de ampliar as áreas protegidas. Hoje, 7,5% do cerrado estão em Unidades de Conservação. A meta é chegar a 10% até o final de 2010. "A resistência a essas medidas vai ser maior do que na Amazônia porque no Cerrado está concentrado grande parte do agronegócio", previu Minc.
Diário do Povo do Piauí