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domingo, 13 de setembro de 2009

Gado morre na seca em Careiro da Várzea

MANAUS - A Secretaria de Agricultura de Parintins, no Amazonas, suspendeu a segunda etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa. A falta de alimento deixou o gado muito fraco.

Já no município de Careiro da Várzea, o nível do rio Solimões começa a voltar ao normal e os produtores reiniciam o trabalho com a terra.

O agricultor Moisés de Oliveira tenta recuperar o tempo que não pode plantar por causa da cheia do rio Solimões. Os canteiros suspensos ainda estão por lá, herança do excesso de águas causados pelas chuvas intensas nos primeiros meses deste ano. Era assim que o produtor garantia o alimento em casa. A fonte de proteína era o peixe.

Agora, com a volta do rio ao normal, ele recomeça o plantio em terra firme. A terra está menos úmida e já é possível arar o local para o plantio de hortaliças. Em tempos de boa colheita, ele tirava mil maços de cheiro verde por semana e vendia na cidade. "Daqui para frente o jeito é batalhar para ver se a gente consegue reverter a situação, porque está difícil", garante Moisés Oliveira, agricultor.
Aos poucos os agricultores renovam as plantações e a paisagem vai voltando ao normal. O verde germina devagar, mas ainda contrasta com o pasto completamente destruído. Sem alimento, milhares de cabeças de gado morreram de fome.

Outra situação grave tem deixado os pecuaristas preocupados. Depois que iniciou a vazante todo o pasto ficou destruído e a terra ficou seca, improdutiva. Das 70 mil cabeças de gado do município, 15 mil não resistira.

Para seu Antônio Pinheiro, a tristeza ainda permanece. Sem ter como alimentar o rebanho, ele vê o gado morrer lentamente. "A seca está pior do que a cheia. Porque a cheia você ainda pela o capim no rio e bota para o gado comer. Na seca não pode encontrar nada", revela o criador.

O município faz parte de um programa criado pelo governo estadual para ajudar os produtores atingidos pelas enchentes. Os produtores recebem ração para os animais e sementes para o plantio, mas a vice-prefeita do município diz que o auxílio estadual é insuficiente.

- O governo estadual está dando um empréstimo também, mas é pouca quantidade. Então, hoje a dificuldade é tanto na alimentação com os animais, ele não tem volta para base. O leite também não está produzindo, porque se eles não se alimentam, não pode tirar leite. Era uma quantidade grande que tinha de leite, hoje não se tem mais, explica Conceição Costa, vice-prefeita de Careiro da Várzea.

Antes da cheia, o município de Careiro da Várzea produzia 17 mil litros de leite, por dia. Hoje, não chega aos mil litros.

Globo Rural

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