O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará hoje, em Roma, um alerta para a insuficiência de recursos internacionais destinados a enfrentar a fome no mundo. Lula cobrará, durante a Cúpula Mundial sobre Segurança Alimentar, promovida pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), compromissos assumidos pelos países mais ricos em aumentar os níveis da assistência ao desenvolvimento social e humano. Alguns dos principais alvos do presidente não estarão em Roma, como os Estados Unidos, a Inglaterra e a França, ausências que reforçam certo esvaziamento da reunião.
Lula irá discursar na abertura da cúpula, junto com o papa Bento XVI e o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf. O chefe de Estado brasileiro destacará as experiências locais que conseguiram reduzir a subnutrição no País como o Bolsa Família, Fome Zero e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Para chamar a atenção para a pauta, o diretor-geral da FAO fez greve de fome, deflagrada na noite de sexta-feira passada e que deve se manter até hoje. Cerca de 60 chefes de Estado participarão do encontro.
Lula pedirá ainda o fim dos subsídios agrícolas que prejudicam as economias mais pobres. A FAO estima que mais de 1 bilhão de pessoas passem fome e estejam desnutridas no Planeta. A organização reforçou que a greve de fome do diretor-geral presta solidariedade à população em extrema pobreza. O número de famintos é o pior desde os anos 1970. Para dar conta de um aumento de população dos atuais 7 bilhões para os estimados 9 bilhões em 2050, a produção de alimentos precisa crescer 70% no período. Isso significa que o investimento em agricultura alimentar precisa passar dos atuais US$ 7,9 bilhões anuais para US$ 44 bilhões/ano.
O primeiro compromisso de Lula na Itália foi um encontro, ontem, com líderes políticos e dirigentes da FAO para tratar do desenvolvimento da agricultura na savana africana. O presidente detalhou projetos de produção agrícola do cerrado brasileiro, tecnologia e conhecimento que vêm sendo transferidos a 25 países da África por meio de programas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
As ações brasileiras contra a miséria foram reconhecidas pela organização não governamental (ONG) Action Aid Internacional, que entregará a Lula hoje prêmio pelos esforços do País. O Brasil lidera ranking da entidade sobre medidas para reduzir o problema, seguido pela China e Índia. O diretor internacional da Action Aid, Adriano Campolina, atribuiu o desempenho de políticas que retiraram dez milhões de pessoas da condição de pobreza extrema nos últimos anos. Campolina afirmou que o Brasil teve êxito ao combinar crescimento econômico com políticas contra a fome e impulso à agricultura familiar.
Fonte: Jornal do Comércio