A produção, importação e venda de insumos agrícolas devem registrar uma drástica queda neste ano na comparação com 2008 por conta dos efeitos da crise no setor. Estimativas preliminares para os oito primeiros meses de 2009 apontam, por exemplo, que a importação de fertilizantes deve cair 49%. Se as compras brasileiras do produto somaram 12,3 milhões de toneladas de janeiro a agosto do ano passado, no mesmo período deste ano deve ter chegado a apenas 6,2 milhões de toneladas.
Esta foi uma das projeções apresentadas por representantes do setor durante a Câmara de Setorial de Insumos, que está sendo realizada no prédio Ministério da Agricultura, em Brasília na semana passada. Outra foi a de que as entregas de fertilizantes ao consumidor final devem ter registrado queda de 15% de janeiro a agosto deste ano (13,4 milhões de toneladas) sobre a base de 2008 (16 milhões de toneladas).
Na produção nacional existe a expectativa de que os números serão mais baixos nos oito primeiros meses deste ano (4,5 milhões de toneladas) do que em idêntico período de 2008 (5,6 milhões de toneladas). As regiões que apresentaram maior recuo de produção, segundo os números apresentados na Câmara Setorial, foram Centro-Oeste (-18,92%) e Norte-Nordete (-17,25%).
No caso dos defensivos, as vendas já apuradas no mês de agosto somaram R$ 1,2 bilhão, 4% a menos do que o total de R$ 1,3 bilhão verificado no mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano até agosto, a comercialização foi de R$ 6,5 bilhões ante R$ 6,6 bilhões em 2008, uma queda menos expressiva, de 1%. Por tipo de defensivo, mereceram destaques de vendas os herbicidas para milho safrinha, arroz e café; os fungicidas para soja, feijão, batata, tomate e algodão e os inseticidas para soja.
Especificamente sobre o calcário, os componentes da câmara setorial chegaram a uma estimativa para todo este ano de produção doméstica de 19,3 milhões de toneladas, o que representaria uma queda de 22% na comparação com os 24,8 milhões de toneladas obtidas no ano passado.
Os três maiores Estados produtores sofreriam queda pelas estimativas dos profissionais do setor de 2008 para 2009: Minas Gerais passaria de uma produção de 4,7 milhões de toneladas para 2,8 milhões de toneladas; Paraná, de 4,5 milhões de toneladas para 4,0 milhões de toneladas e Mato Grosso, de 3,7 milhões de toneladas para 2,6 milhões de toneladas.
Expectativa
O cenário mais otimista traçado pelo presidente da Câmara Setorial de Insumos, Cristiano Walter Simon, para o setor este ano é o de um empate na produção, importação e vendas dos fertilizantes na comparação com 2008. “Na melhor das hipóteses, teremos números próximos aos do ano passado, mas certamente inferiores àqueles”, considerou ao sair para o intervalo da reunião dos representantes do setor que ocorre ao longo do dia, na sede do Ministério da Agricultura, em Brasília.
Os preços dos fertilizantes recuaram de 30% a 35% este ano na comparação com 2008, pelos cálculos de Simon. A queda e o derretimento do dólar não foram suficientes, no entanto, para ampliar a compra de insumos pelos produtores agrícolas, depois da disparada dos preços no ano anterior. “Realmente, o setor reflete em 2009 a situação da crise na agricultura. Com certeza este é um ano muito mais difícil do que o de 2008”, comparou.
Além dos impactos da crise na agricultura, o presidente da Câmara destacou que produtores vêm postergando a compra do produto o máximo possível por conta de assaltos em seus armazéns, roubos de carga, falsificação de produtos e até por conta da indefinição climática.
Agência Estado