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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

FEBRE AFTOSA: APÓS UM ANO, RISCO MÉDIO É VISTO COMO AVANÇO NO RN

Aguardando a reclassificação do Rio Grande do Norte para área livre de febre aftosa, com vacinação, os pecuaristas do estado revelam que pouco mais de um ano após o Rio Grande do Norte passar de área de risco desconhecido para risco médio, houve avanços na quantidade de animais que participam de eventos do setor realizados em solo potiguar. Entretanto, para alguns, ainda não foi possível perceber um grande aumento no volume de animais vendidos para outros estados.

Para a Associação Norte-riograndense de Criadores (Anorc), a participação de mais de 90 bovinos puros de argola da raça Nelore na Festa do Boi 2009, vindos de Pernambuco, exemplifica o aumento no número de animais em eventos norte-riograndenses. Na edição da feira do ano passado, entre 3.600 e 3.800 animais foram comercializados e a Anorc espera um aumento de 40% no volume, em 2009.

De acordo com Marcos Teixeira, presidente da Associação Norte-riograndense de Criadores (Anorc), por ser área de risco médio para a doença, o Rio Grande do Norte pôde passar a comercializar animais com estados como Pará, Pernambuco e São Paulo. “Para os criadores, sermos considerados área de risco médio foi uma mudança importante, pois a comercialização tomou outra dimensão. Estamos confiantes que até o final de 2009 haverá uma nova classificação”, revela Teixeira.

O criador de ovinos Bira Rocha concorda com o presidente da Anorc e ressalta que a atual classificação pode ser considerada um avanço para os criadores do estado, porém destaca que pouco mudou, na prática. “Atualmente, podemos negociar animais com um número maior de estados do Brasil, só que o resultado ainda não foi tão significativo, porque precisamos deixar os animais em quarentena antes de saírem do Rio Grande do Norte. Isso complica bastante e muitos produtores desistem de comprar da gente por causa dessa necessidade”, completa Rocha.

Bira Rocha afirma estar confiante que a nova mudança de status ocorrerá até o final deste ano. “Aí sim, vamos perceber uma melhora significativa, pois nos permitirá comercializar com qualquer estado da federação. Hoje mando entre 300 e 400 animais, por ano, para estados como Mato Grosso, Goiás e São Paulo e acredito que esse número vai aumentar quando fomos classificados como área livre da aftosa”, afirma Bira Rocha.

Apesar de entusiasmado com a possibilidade, o presidente do Instituto de Defesa e Inspeção Agropecuária do Rio Grande do Norte (Idiarn), Romildo Pessoa, pondera ao estabelecer um prazo para a mudança, uma vez que a avaliação é um processo complexo, realizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Dentre os pontos que serão analisados pelos técnicos, estão a realização de duas etapas da campanha de vacinação contra a aftosa, a capacidade do estado em controlar a doença, a sorologia dos animais, além do isolamento da doença no estado, através do cadastramento e mapeamento dos rebanhos existentes, bem como das áreas onde vivem.

Um dos aspectos que poderá dificultar a reclassificação é o fato de tanto o Ceará quanto a Paraíba serem considerados zona de risco desconhecido. “Mas os dois estados vizinhos estão a caminho de serem considerados como risco médio e isso possibilita também a nossa reclassificação”, completa Romildo Pessoa.

Imunização é realizada anualmente

Iniciada no dia 2 deste mês, a segunda etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa deverá atingir 80% do rebanho potiguar, até o próximo dia 31 de outubro. Na sequência, os criadores terão um prazo de 15 dias para apresentar a nota fiscal da compra da vacina e a relação dos animais imunizados, junto aos órgãos governamentais, comprovando a imunização do seu rebanho. A dose da vacina custa, em média, R$ 1,50, e a multa por animal não vacinado é de R$ 20, por cabeça.

“Mesmo que o gado seja vacinado, se o criador não comprovar, será considerado inadimplente. Além disso, para retirar a Guia de Trânsito Animal (GTA), documento exigido para que o animal seja transportado entre estados diferentes, as duas últimas vacinações precisam ser comprovadas”, alerta o diretor geral do Idiarn, Romildo Pessoa.

A campanha de vacinação contra a febre aftosa ocorre anualmente, com a primeira etapa em abril e a segunda no mês de outubro. Durante a primeira etapa da campanha, o Rio Grande do Norte conseguiu alcançar a meta geral, imunizando acima de 90% do seu rebanho. Em 2008, quando o estado passou a ser classificado como território de médio risco para a aftosa, 85% dos produtores comprovaram a vacinação.


Estado solicita status de área livre

O status de zona de risco médio para a febre aftosa, anunciado durante a Festa do Boi do ano passado, possibilitou a comercialização de animais para áreas livres da doença com vacinação, desde que cumpridas a quarentena e demais procedimentos legais exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O pedido de reclassificação do Rio Grande do Norte foi realizado no início de setembro deste ano, pela governadora Wilma de Faria, e a assessoria de comunicação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento confirmou o seu recebimento. Entretanto, alegando que o pedido ainda não foi analisado, informou não ser possível indicar uma fonte para explicar detalhes sobre o processo, uma vez que não há definição sobre datas para que os técnicos do ministério visitem o estado. A expectativa dos criadores potiguares é de que o anúncio da mudança no status ocorra até o final deste ano.

Na prática, além da diminuição do risco de contaminação pela febre aftosa, a mudança de status abre as portas para expositores e aumenta a chance de serem realizados novos negócios pecuários. A reclassificação permitirá também que seja realizado um número maior de leilões virtuais, por agilizar o trânsito dos animais, uma vez que os estados considerados livre da doença não são obrigados a realizar a quarentena de animais envolvidos em eventos.

Em todo o país, 14 estados e o Distrito Federal são classificados como zonas livres de aftosa com vacinação e Santa Catarina é reconhecido como livre da doença sem vacinação, o que equivale a 59% do território e 89% do rebanho bovino em área livre da enfermidade.

Circuito

Dos nove estados da região Nordeste, sete fazem parte do Circuito Pecuário Nordeste, Maranhão, Rio Grande do Norte e Pernambuco têm status de risco médio, enquanto Piauí, Paraíba, Alagoas e Ceará são classificados como apresentando risco desconhecido para a doença.

Conseguindo passar da atual classificação de risco médio para a febre aftosa, para o status de área livre da enfermidade, os pecuaristas do Rio Grande do Norte poderão levar seus animais para exposições e feiras, além de comercializar, enviando e recebendo gado a partir de criadores de todas as unidades da federação.

Aftosa causa prejuízos econômicos

A febre aftosa é uma doença provocada por vírus, de fácil transmissão, que atinge principalmente bovinos, suínos, ovinos e caprinos. A enfermidade não afeta os equídeos, que consistem em animais como cavalos, mulas e asnos.

Nos animais doentes, os sintomas são aumento da temperatura, diminuição no apetite, ferimentos nas mucosas e pele, redução na produção leiteira, perda de peso, retardo no crescimento e menor eficiência reprodutiva. Sem tratamento adequado, leva à morte.

Os prejuízos provocados pela aftosa são principalmente econômicos. Uma vez detectada, as propriedades com animais doentes são interditadas, dificultando a produção de gado e a venda de carne também no entorno.

A enfermidade não é considerada grave para os seres humanos, uma vez que os estes raramente são infectados pelo vírus. Além disso, diversos órgãos de saúde pública divulgam que ingerir carne de animais infectados praticamente não traz risco à saúde humana.
Festa do Boi é beneficiada por reclassificação

Apesar de ter significado pouco impacto para as vendas do setor agropecuário até agora, a reclassificação do Rio Grande do Norte para risco médio de febre aftosa teve reflexo direto nos eventos ligados à atividade, atraindo a presença de animais vindos de outros estados, como de São Paulo e de Minas Gerais, o que não ocorria, segundo a Anorc, há pelo menos 12 anos. O crescente movimento registrado em feiras e exposições está sendo percebido mais recentemente na Festa do Boi. O evento começou sexta-feira e segue até 17 de outubro, no Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim.

Segundo o diretor de Relações Públicas da Anorc, Marcelo Abdon, cerca de 6 mil animais, sendo 2 mil bovinos, algo em torno de 3,5 mil caprinos e ovinos e 500 cavalos participam da festa este ano. “No ano passado recebemos 5 mil animais. O crescimento este ano é consequência direta da reclassificação”, afirma ele, acrescentando que a alta qualidade genética é uma característica comum aos rebanhos. Essa é também uma das razões para que sejam esperados entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões em negócios somente nos leilões.

Para se ter ideia dos preços dos animais, Abdon diz que um animal da raça Guzerá pode ser comercializado por valores entre R$ 60 mil e R$ 70 mil. Um cavalo Quarto de Milha, por sua vez, pode custar mais de R$ 100 mil. “Os preços se explicam porque estamos falando de reprodutores e matrizes de alta linhagem genética”, observa ele.

Dizer que um animal tem “alta genética” é o mesmo que dizer, por exemplo, que é um ótimo produtor de leite ou de carne e que é capaz de transferir essas características aos herdeiros. Os 14 leilões programados para a Festa do Boi deverão mostrar animais campeões nesses quesitos. O leilão da Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (Emparn), marcado para hoje, é um deles.

“Os animais da Emparn sempre se destacam devido a alta qualidade genética. São bovinos das raças Gir, Guzerá, pardo-suiça e Sindi, além de ovinos e caprinos das raças Morada Nova e Canindé”, frisa empresa. Ao todo, serão disponibilizados 50 lotes das raças bovinas Gir, Guzerá, Sindi, Pardo-Suiça, Holandesa e Mestiças leiteiras, além de lotes de asininos e muares. Não é só o leilão, porém, que marcará a presença da Emparn na Festa do Boi. Durante o evento, a Empresa também vai montar a “Vitrine Viva”, área em que os visitantes poderão conhecer de perto as pesquisas que desenvolve voltadas não só para o setor pecuarista, mas também para áreas como fruticultura, biotecnologia e tecnologias que ajudam no desenvolvimento das atividades comuns no dia-a-dia dos agricultores.

Entrada

A entrada no Parque de Exposições Aristófanes Fernandes começará a ser cobrada todos os dias a partir das 13h. A inteira custa R$ 3 e a meia R$ 1,50. Antes desse horário, o ingresso será gratuito, para estimular a participação, por exemplo, de escolas, diz Marcelo Abdon.
Atrações vão além dos animais que serão expostos no Parque

Com a Festa do Boi, o Parque Aristófanes Fernandes não é palco para exibição apenas de animais. Nos estandes, produtos como torta de algodão, rações, inseticidas, fertilizantes, arames, máquinas e equipamentos estão expostos e deverão ajudar a incrementar o volume de negócios. A expectativa é que o total comercializado este ano, incluindo os leilões, chegue a R$ 30 milhões, ou a 20% a mais que no ano passado.

Marcelo Abdon, diretor de Relações Públicas da Associação Norte-Rio-Grandense de Criadores (Anorc), diz que a atração principal do evento são os animais, mas lembra que também há, no entanto, bares, restaurantes, shows e áreas específicas para o lazer das crianças. “A programação é para toda a família”, reforça. Cerca de 400 mil pessoas são esperadas nos nove dias do evento.

Investimento

Para promover a festa, o governo do estado, por meio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca (Sape), e a Anorc investiram R$ 2 milhões - cerca de R$ 700 mil a mais que o volume desembolsado em 2008. O dinheiro inclui o R$ 1,4 milhão desembolsado para ampliar a estrutura do parque, o que aumentou a oferta de serviços ao público e garantiu, por exemplo, novas baias e instalações para a realização de julgamentos, pesagem e torneios leiteiros.

Com o investimento realizado, os promotores do evento também trouxeram como novidade este ano o serviço gratuito de internet wi-fi (sem fio), permitindo conexão em todos os pontos do Aristófanes Fernandes. Dentro da programação do evento, outras novidades serão a realização de duas exposições nacionais das raças bovina Sindi e da ovina Santa Inês. A Festa do Boi 2009 será palco, ainda, para a 1ª Exposição regional Nordeste de Caprinos Boer. O Banco do Brasil e o Banco do Nordeste (BNB) estarão entre os expositores, com linhas de crédito específicas para o setor. “E vieram este ano com as linhas ampliadas, o que também entra no rol de novidades”, observa o diretor da Anorc.

Fonte: Tribuna do Norte

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