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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Saldo socioambiental coloca agrocombustíveis na berlinda

Para aumentar as exportações do etanol de cana-de-açúcar e biodiesel, usinas brasileiras precisam provar os benefícios socioambientais da produção junto aos compradores internacionais. Apesar do marketing, não está fácil.

O setor de transporte é responsável por cerca de 25% das emissões mundiais de dióxido de carbono (CO2), de acordo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O dado explica a influência das fontes de energia no debate ambiental e revela também porque a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criou um Grupo de Trabalho (GT) para acompanhar as negociações internacionais preparatórias à 15ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-15), que acontecerá em dezembro, em Copenhagen, na Dinamarca.

"Se os países desenvolvidos assumirem metas maiores de redução na emissão dos gases de efeito estufa, isso pode significar maior demanda internacional pelo biodiesel e, principalmente, pelo etanol de cana-de-açúcar produzido no Brasil", avaliou Rodrigo Lima, gerente-geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Ícone), organização não-governamental (ONG) criada em 2006 por associações do agronegócio.

Conquistar o mercado externo é o principal anseio das 65 usinas de biodiesel existentes no país. As exportações dessa produção atualmente ainda são insignificantes. Uma lei nacional - que exige a mistura obrigatória de 4% de biodiesel ao óleo diesel - gera uma demanda interna de cerca de 1,8 bilhão de litros de biodiesel por ano. A capacidade de produção instalada das usinas é bem superior: 3,8 bilhões de litros por ano. "O governo federal está outorgando licenças para produção de biodiesel sem levar em consideração a demanda atual pelo produto", reclamou Roberto Engels, diretor-executivo da usina Biocapital, localizada em Charqueada (SP).

No caso do combustível de cana-de-açúcar, o mercado interno é mais promissor, mas também insuficiente. Dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) revelam que o etanol já é o principal combustível da matriz energética brasileira para carros leves.

No Brasil, os chamados automóveis flex-fuel representam 94,2% das vendas totais; no ano passado, foram licenciados no país 2.065.313 veículos que utilizam gasolina e etanol. O consumo nacional de etanol no primeiro semestre de 2009 foi de 10,7 bilhões de litros, 17,7% a mais que igual período do ano passado. O crescimento da produção de etanol na safra 2008-2009 em relação ao ano agrícola anterior, porém, foi maior: passou de 22,5 bilhões de litros para 27,5 bilhões de litros, ou seja, teve 22% de aumento.

As exportações brasileiras de etanol também estão crescendo (passaram de 3,6 milhões de litros para 4,7 milhões de litros no mesmo período), mas ainda respondem por apenas 0,017% das vendas totais. "Nosso principal desafio é quebrar as barreiras tarifárias e não-tarifárias que países desenvolvidos impuseram ao etanol", declarou Marcos Jank, o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), durante o Ethanol Summit 2009, principal evento do setor sucroalcooleiro, realizado em junho, em São Paulo.

Por Thaís Brianezi, do Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis

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