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domingo, 13 de setembro de 2009

'A reforma agrária virou favela rural'

Com a experiência de quem exerce o quinto mandato consecutivo como deputado federal, o presidente do Democratas (DEM), no Paraná, Abelardo Lupion, 57 anos, percorre, desde o ano passado, todo o Estado para consolidar a pré-candidatura dele ao Senado Federal nas eleições de 2010.

O parlamentar garante que a pré-candidatura é definitiva, uma vez que ela independe da aliança que o partido fará para o governo estadual. O líder ruralista não esconde a preferência pelo nome do senador Osmar Dias (PDT), mas adianta que a escolha do candidato que os democratas apoiarão ficará para o ano que vem.

Nascido em Curitiba, Lupion iniciou a carreira política em 1992, quando se elegeu para a Câmara dos Deputados pelo antigo Partido da Reconstrução Nacional (PRN). Agropecuarista e empresário, o deputado é um dos fundadores e foi presidente da União Democrática Ruralista (UDR), no Paraná, na gestão 1987-1990.

Nesta entrevista concedida à Associação dos Jornais Diários do Interior do Paraná (ADI-PR), entidade que reúne 19 empresas jornalísticas, que totalizam mais de 200 mil exemplares de circulação por dia, o parlamentar aborda ainda temas polêmicos como a reforma agrária, o código florestal e os índices de produtividade.

“Não é o momento de se discutir mudança nos índices de produtividade. Trata-se de um crime lesa-pátria”, ressaltou.

“Hoje, o contribuinte paga por uma reforma agrária, que não conseguiu emancipação alguma. O projeto precisa fazer com que os assentados sejam autosuficientes.”

“O País vive a pior fase da história em termos de preços. Não é o momento de estabelecer novos índices de produtividade, mas sim de apoiar o produtor rural para não sair da atividade.”

ADI - O senhor é pré-candidato ao Senado?
Abelardo Lupion - Fui convidado para ser o representante do partido no Senado. O DEM tem a meta de eleger o maior número de senadores e deputados estaduais e federais. Nós precisamos de um nome no Paraná para que dispute uma majoritária e nós optamos pelo Senado.

ADI - O senhor considera que o DEM terá dificuldade para sustentar essa pré-candidatura?
Abelardo Lupion - Nós estamos com uma candidatura consistente. Fui convidado pelo senador Osmar Dias para ocupar o lugar dele. A partir daí, percorremos o Paraná inteiro e temos o apoio de 23 dos 30 deputados federais da bancada estadual. Nós temos um ótimo contato com os vereadores dos municípios paranaenses. Temos o setor rural que priorizou a nossa pré-candidatura. É uma pré-candidatura que se consolida por ser uma candidatura de base. Não é uma candidatura de mídia. Nós temos hoje fechado o apoio de 189 prefeitos e ainda falta percorrer cinco regiões. Nós temos boas possibilidades de nos elegermos.

ADI - É possível afirmar que há favoritos para a eleição do Senado?
Abelardo Lupion - Estou preocupado com a nossa candidatura. Eu avalio que existe um clima favorável à renovação.

ADI - Qual é a estratégia do DEM em relação às eleições ao governo do Paraná?
Abelardo Lupion - O nosso objetivo é o de unir o grupo que apoiou as eleições municipais, formado pelo DEM, PPS, PSDB e PDT. Faremos de tudo para que isso ocorra.

ADI - O DEM terá candidato ou fará aliança ao governo do Estado?
Abelardo Lupion - Até junho do próximo ano, época das convenções partidárias, nós seremos algodão entre cristais. Vamos conversar muito até lá. Como não tomaremos decisão agora, quanto mais candidatos surgirem, mais opções teremos. Então, eu acho importante a candidatura do Beto (Richa) (PSDB), do Alvaro (Dias) (PSDB) e do Osmar (Dias) (PDT). No momento certo fazeremos a grande união para que termos capacidade de ganhar a eleição no primeiro turno.

ADI - Que avaliação o senhor faz da reforma agrária e dos movimentos sociais?
Abelardo Lupion - Eu acho que a reforma agrária é um blefe. Hoje, o contribuinte paga por uma reforma agrária, que não conseguiu fazer emancipação alguma. Ninguém anda com as próprias pernas. A reforma agrária é uma grande favela rural. Há um investimento absurdo. O governo tem nas mãos do governo 134 milhões de hectares e não consegue fazer com que os assentados sejam autosuficientes. A região de Cascavel é exemplo. A Fazenda Mitacoré (em São Miguel do Iguaçu) era modelo e virou uma favela rural. No Brasil, o MST e a Via Campesina são movimentos terroristas que fazem a desestruturação do campo. Nós precisamos jogar muito pesado contra esse povo porque não se pode fazer um ralo do dinheiro público, que poderia fazer com que o pequeno produtor se viabilizasse. O Congresso votou o Banco da Terra, que só levou vocacionados para a Agricultura e não era politizada essa escolha. O modelo que se propõe o MST e a Via Campesina é de financiar movimentos terroristas que querem desestabilizar o governo e a produção no Brasil. Esses movimentos têm nos governos Lula e Requião grandes aliados.

ADI - Qual é a posição do senhor em relação à mudança nos índices de produtividade?
Abelardo Lupion - O País vive a pior fase da história em termos de preços. Com exceção da soja, todos os produtos estão sendo vendidos abaixo do custo de produção. Isso nada mais é do que o governo impor ao produtor rural plantar e perder dinheiro, quando ele mesmo não faz política agrícola. Nós temos dentro das propriedades rurais a definição do problema ambiental, que gera intranquilidade para o setor. Nós temos hoje um produtor rural falido. Há cerca de quarenta anos houve uma lei, quando meu avó era governador do Estado, obrigando os agricultores a retirarem a madeira da beira de rio por causa do tifo e da malária. Não é o momento de se discutir mudança nos índices de produtividade. Trata-se de um crime lesa-pátria impor ao produtor rural uma condição de bancar a recomposição. Você vai doar 20% da propriedade, no Paraná, e 80% no Norte do Brasil, sem ter um tostão de recomposição. Nós precisamos entender que não é o momento de estabelecer novos índices de produtividade, mas sim de apoiar o produtor rural para não sair da atividade.

ADI - Qual é a avaliação do senhor em relação ao governo Requião?
Abelardo Lupion - São oito anos que o Paraná estacionou. Nós paramos de trazer investimentos para o Estado e o governador não cumpriu proposta alguma que fez na campanha. O sistema de saúde é uma vergonha. O pedágio que ele prometeu acabar ou baixar só subiu. Ele é o grande aliado das empresas que compõem o pedágio no Estado porque ele entra na Justiça e as concessionárias ganham e colocam o preço da tarifa que quiser. Requião não conseguiu fazer negociação alguma com esse pessoal. O saneamento básico vai de mal a pior, apesar de a Sanepar ser uma empresa estatal. A Copel perdeu a finalidade. Pela primeira vez, a Copel, fundada pelo meu avó (Moysés Lupion), não construiu uma usina sequer.

ADI - O DEM votou a favor da PEC dos Vereadores. Essa proposta não é mais um agrado dos parlamentares para os suplentes, visando às eleições do ano que vem?
Abelardo Lupion - Primeiro, era uma obrigação constitucional regulamentar as câmaras municipais. O Congresso Nacional se omitiu e o Supremo entrou e fez. A lei está desde 2004 no Congresso Nacional. Era para ter sido votada no ano passado e não foi. Nós não podemos abrir mão da prerrogativa de o Congresso legislar sobre o assunto. Se vão assumir ou não, não é mais problema nosso, trata-se de um problema da Justiça. Acusam-nos de aumentar o número de vereadores, mas ninguém conta que foi diminuído o valor repassado às câmaras municipais. Agora vai depender dos presidentes dos legislativos para reduzir as despesas.

Diário de Maringa


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