Quando relacionadas a migração e a faixa etária, percebe-se que a busca por emprego é a principal motivação para sair
Os dados da Pnad 2008, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), permitem acompanhar a dinâmica de migração no País. Pela pesquisa, chega-se à conclusão que cerca de 1,6 milhão de cearenses vive em outros estados. O destino preferido continua sendo São Paulo. Nada menos que 519 mil pessoas nascidas no Ceará vivem no Estado mais populoso da Federação.
O segundo reduto mais procurado é o Rio de Janeiro, onde residem 209 mil cearenses. O terceiro Estado onde há mais conterrâneos não é muito fácil de adivinhar: o Pará, onde é estimada a presença de 181 mil pessoas naturais do Ceará.
Por outro lado, 481 mil habitantes do Ceará vêm de fora. A maior parte nasceu em São Paulo: 76 mil. Em seguida, vêm os vizinhos nordestinos: piauienses (61 mil), pernambucanos (57 mil), norte-riograndenses (49 mil), paraibanos e maranhenses (44 mil, cada). O IBGE identificou ainda que cinco mil moradores locais são de outras nacionalidades.
Além de identificar a origem da população, a Pnad acompanha a dinâmica dos processos migratórios. Em 2007, 29,6% dos moradores do Ceará não eram naturais do município em que viviam. No ano passado, o índice subiu para 30,2% (mais 82 mil pessoas).
Em relação à naturalidade por estado, também cresceu a migração. A porcentagem de moradores de outros estados subiu de 5,3% para 5,7% (mais 41 mil habitantes). Em ambos os casos, os números do Ceará ficam abaixo da média nacional, de 40,1% migrantes intermunicipais e 15,7% migrantes interestaduais, respectivamente.
De acordo com a síntese da Pnad, que inclui análises dos pesquisadores do IBGE, a relação entre migração e faixa etária pode indicar que a busca por emprego é a principal motivação para sair do município ou do estado de origem no Brasil. "Com o aumento da faixa de idade, verificou-se progressivo crescimento na proporção de migrantes. O perfil etário mais envelhecido dos migrantes pode estar relacionado aos deslocamentos por melhores oportunidades de trabalho", diz o texto.
Sobre a migração para o eixo centro-sul, sobretudo Rio e São Paulo, Arivaldo Sezyshta, do Serviço Pastoral dos Migrantes, explica que há que se considerar que a grande cidade segue exercendo verdadeiro fascínio sobre as pessoas. "Aparecendo como lugar da oportunidade, da riqueza, do sucesso, do luxo, das luzes, das cores, lugar do desenvolvimento em contraposição ao lugar do atraso, atribuído, geralmente, às zonas rurais, especialmente do semiárido nordestino", acrescenta.
Embora as pessoas tenham notícias do desemprego e da violência, Sezyshta diz que as pessoas que migram exergam mais as possibilidades de "se dar bem".
Em relação a migração para o Pará, apontado na Pnad, ele disse que os maiores índices de migração se dão em direção às cidades, na busca, sobretudo, dos setores de serviços e da agroindústria. "Esses migrantes não veem mais alternativa nos grandes centros urbanos e, como não encontram alternativas em sua terra natal, principalmente na agricultura, "resta-lhes aventurar-se para outras regiões, como é o caso do Norte", avalia Sezyshta.
Para ele, o número de migrantes que saem pode ser explicado pelo pouco investimento público na agricultura familiar, quando comparado ao agronegócio, que, voltado à exportação, "não gera desenvolvimento local, mas destruição ambiental, pobreza e mais migração".
Diário do Nordeste