A produção de grãos do Ceará em 2008 está distante da estimativa inicial de 1.431.756 toneladas. Uma comparação com o relatório de outubro (1.135.475 t) aponta queda de 20,69% e declínio de 0,13% em relação à setembro, quando foram produzidas 1.136.964 toneladas. Um confronto com a safra obtida no ano passado (575.302 t) mostra que a expectativa é de crescer em 97,37% e, frente ao resultado recorde de 2006(1.145.558 t), esta safra é 0,88% menor.
Para Regina Feitosa, coordenadora do Grupo de Coordenação de Estatísticas Agropecuárias do Ceará, ´em outubro, praticamente não houve modificações nos resultados´. ´A colheita de milho está praticamente concluída (98,63%), o arroz de sequeiro, feijão de corda e de arranca de 1ª safra já foram totalmente colhidos´. Dos 44 produtos pesquisados no Estado, seis variaram, em relação ao mês de setembro, sendo um positivamente e cinco negativamente.
A uva foi o único produto com variação positiva. O arroz irrigado, girassol, cana-de-açúcar, mamona, castanha-de-caju e manga apresentaram declínio. A produção esperada de 953.641 toneladas de frutas frescas mostrou declínio de 0,06% quando se compara ao mês anterior (954.198 t). Em relação à primeira estimativa (963.083 t) o recuo é de 0,98%, mas apresenta incremento de 7,22%, em relação à safra obtida em 2007 (889.416 t). No grupo das frutas frescas, apenas a manga indicou queda na estimativa de produção. Quanto aos frutos secos, constatou-se queda na estimativa de produção da castanha-de-caju em 0,09%, comparando-se ao mês anterior (150.237 t), e de 0,20%, frente à previsão realizada em janeiro de 2008 (150.406 t).
Como a safra 2007 (53.420 t) apresentou grande perda, a produção total esperada acena um incremento de 180,99%. Os frutos com produção expressa em mil frutos não apresentaram variação. O abacaxi continua a apresentar produção esperada de 100.728 mil frutos, redução de 1,76% em relação à primeira estimativa e de 19,76% na comparação com 2007 (84.111 mil frutos). O grupo tubérculos e raízes, representado pela mandioca e batata-doce, não apresentou alteração em relação ao mês anterior. A primeira permanece com a produção esperada de 924.860 t, decréscimo de 0,13% em relação à estimativa inicial (926.033 t). Comparando-se à safra anterior (749.479 t), o crescimento é de 23,40%. A batata-doce continua com a expectativa de serem colhidas 13.069 toneladas. A cana-de-açúcar apresenta declínio de 5,21%, em relação a estimativa inicial (2.366.515 t), devido à reavaliação no rendimento realizada no município de Paraipaba. Com isso, espera-se a colheita de 2.243.317 toneladas, representando redução de 0,35%, comparando-se à safra passada (2.251.239 t).
´O rendimento obtido na produção da mamona está aquém do esperado. É mais um ano em que as estimativas de colheita não se confirmam´, diz Regina Feitosa. Ela também observa que a perspectiva para os dois últimos meses do ano é de mais redução. Segundo a técnica do IBGE, a redução deve-se à entrega tardia da semente em certas regiões, o encharcamento em algumas áreas e o desempenho insatisfatório da variedade ´guarani´, introduzida este ano, porém, não adaptada às condições locais. A falta de terra é outro entrave à produção de mamona, além da insuficiência de técnicos para acompanhar os agricultores. Menos crédito Por crise, IBGE prevê queda de 3,3% na colheita de 2009 Rio. Os efeitos da crise mundial já chegaram ao campo e a safra 2009 deverá registrar a primeira queda na produção em quatro anos.
A primeira estimativa de colheita divulgada, ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta um recuo de 3,3% no volume, das 145,6 milhões de toneladas em 2008 para 140,8 milhões de toneladas no ano que vem. “Certamente, o produtor está muito menos tranqüilo do que estava no fim do ano passado. Há muita incerteza em relação a preços”, afirmou o coordenador de agropecuária do instituto, Flavio Bolliger. Ele disse que é “muito raro” que a primeira estimativa de safra do instituto mostre uma expectativa de queda na produção. “Não lembro quando isso ocorreu antes”, afirmou. A safra do País vinha crescendo ininterruptamente desde 2006. Segundo Bolliger, a alta nos preços dos insumos e o recuo na cotação de commodities agrícolas estão desestimulando os produtores para a próxima safra. De acordo com ele, os preços dos insumos “prosseguem em patamar dos tempos de euforia, enquanto os preços de produção já foram atingidos pela crise”.
Isildene Muniz Repórter