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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Produtor protesta contra preço baixo do litro de leite, vendido a R$ 0,60 em média

“Preço justo ao leite produzido no campo”. Com camisetas que estampavam os dizeres acima e faixas de protesto, produtores rurais de todas as partes do Estado estiveram ontem, pela manhã, em audiência pública na Assembléia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para reivindicar soluções para a crise que atinge o setor e pedir medidas que possam aliviar os impactos da crise internacional na fazenda. 
“Uma das saídas é esvaziar o mercado. Hoje, pelo menos 1,4 bilhão de litros estão sobrando. Mas, para isso, é necessário que o Governo disponibilize linhas de crédito para financiar estoques da indústria. Cerca de R$ 400 milhões dariam”, disse o presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Rodrigo Alvim. 
Atualmente, segundo ele, o litro de leite é comercializado nacionalmente a R$ 0,60, em média. Porém, o custo da produção beira a casa dos R$ 0,70. “Mas em algumas localidades já tem produtor que não está conseguindo mais que R$ 0,30 pelo litro”, disparou Alvim. 
Os prejuízos, conforme contou, começaram entre meados de maio e início de junho deste ano. “Segundo dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), nos últimos quatro anos a demanda cresceu 3% a 4,5%, enquanto a produção aumentou apenas 2%. Os estoques acabaram e os preços subiram, motivando o produtor, que não contava com a saída de especuladores e, menos ainda, com a crise internacional”, afirmou, acrescentando que países em desenvolvimento passaram a comprar o estritamente necessário. 
Em tempos de vacas gordas, a tonelada de leite girava em torno de US$ 5,7 mil. Depois, caiu para US$ 3,8 mil e, hoje, não chega a US$ 2,5 mil. “Ninguém podia imaginar que a alegria ia durar tão pouco. Hoje, mesmo com a valorização do dólar , os valores são insuficientes”, criticou. 
Outro problema apontado foi o recuo no mercado interno. “O endividamento da população, em tempos de crédito fácil, coibiu o consumo de lácteos no país. No geral, a queda na compra de alimentos já acumula 11%”, ressaltou o presidente. Com a bebida sobrando nas gôndolas e o produtor trabalhando no vermelho, Alvim acredita que é hora de falar em ajuda financeira. “Precisamos tomar coragem e começar a falar em subsídio”, bradou ele, que reivindica R$ 0,60 como pagamento mínimo da indústria que tomar empréstimos. 
Leite na merenda escolar também foi uma reivindicação comum entre as centenas de produtores rurais que estiveram na AL . “O brasileiro bebe, em média, 90 litros de refrigerante por ano, mas só consome 38 litros de leite. É fundamental que o Estado estimule a oferta da bebida nas escolas”, disse José Américo Simões, o Manoelito, superintendente da Associação Minas Leite, entidade que reúne 13 cooperativas do Sul e Sudoeste mineiro. 
Melhor escoamento da produção e mais investimentos em marketing também estiveram na pauta de solicitações. “Outros países gastam milhões em propaganda, enquanto não fazemos nada!”, reclamou. 
Entre os produtores de Pompéu, a queixa é recorrente. “Considerando-se toda a região, são mais de 8 mil produtores responsáveis por 2,5 mil litros/dia. Mas, com os preços atuais, está difícil sobreviver no campo”, lamentou Júlio Braz, criador no município, onde, recentemente, foram distribuídos gratuitamente 15 mil litros de leite. 
“Estamos no vermelho há três meses”, emendou o presidente do Sindicato Rural de Pará de Minas, Inácio Jeunon Diniz. Na região, segundo ele, o litro é vendido a R$ 55. No mesmo período de 2007, o valor era de R$ 0,95. “O pior são os custos , na faixa de R$ 0,75”, reclamou. 
Com uma diferença tão grande entre despesa e receita, o presidente da Organização das Cooperativas de Minas Gerais, Ronaldo Scucato, teme o empobrecimento da classe e a redução do plantel. Para Marcos Abreu, da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), o momento é de concessão de créditos fiscais, a exemplo do que fez o Governo paulista. Segundo ele, diretores da Faemg iriam se reunir à tarde com membros das secretarias da Fazenda e de Agricultura para tratar da tributação do setor. 
À tarde, houve tumulto entre produtores, que se manifestavam do lado de fora da Assembléia, e a Polícia Militar. Um grupo se refugiou dentro da AL. A segurança da casa interveio para acalmar os ânimos, pondo fim à confusão.

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