A demanda dos agricultores por fertilizantes confirmaram a tendência de queda iniciada em setembro e registraram forte retração em outubro, de acordo com levantamento da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). Na segunda-feira, como informou ontem o Valor, o Ministério da Agricultura já havia sinalizado o novo recuo, mas sem detalhar o balanço de oferta e demanda do segmento.
Conforme a Anda, as entregas das empresas misturadoras (que fabricam o produto final) às revendas espalhadas por todo o país somaram 2,032 milhões de toneladas no mês passado, 7,8% abaixo do volume de setembro e 35,5% menos que em outubro de 2007. Com o resultado, parece definitivamente comprometido o recorde anual previsto no início de 2008.
Ainda que a Anda não corroborasse projeções que sinalizavam entregas de até 27 milhões de toneladas este ano, que o recorde de 2007 (24,609 milhões) seria quebrado era considerado "barbada" em janeiro. Com os problemas de crédito que se tornaram agudos no setor a partir de setembro, contudo, humores e expectativas mudaram muito.
Nos primeiros dez meses de 2008, as entregas totalizaram 20,245 milhões de toneladas, 2% menos que em igual intervalo do ano passado. Hoje, no segmento, poucos crêem em reversão de tendência em novembro e dezembro, tendo em vista que o plantio da safra de verão 2008/09 está avançado e as compras para o plantio da safra de inverno de 2009 ainda estão praticamente paradas, ao contrário do cenário no fim de 2007.
Com a redução das entregas, voltaram a cair no mês passado a produção nacional (18,3% em relação a outubro de 2007) e as importações de fertilizantes (39,9%). Com isso, nos dez primeiros meses deste ano a produção nacional alcançou somou 8,046 milhões de toneladas, 1,9% menos que no mesmo período do ano passado, e as importações alcançaram 14,682 milhões de toneladas, ainda uma alta de 1,6%.
Para as grandes empresas que atuam no segmento, a reversão não chega a ser o fim do mundo. Isso porque, graças as boas vendas do primeiro semestre e aos elevados preços praticados, em linha com o mercado internacional, seus resultados nos três primeiros trimestres do ano foram polpudos, como já demonstraram os balanços de empresas como Fosfertil (maior fabricante de matérias-primas para adubos do país) e Heringer (terceira no ranking de vendas de produtos finais), que têm ações negociadas na BM&FBovespa.
Antes de o mercado começar a acelerar em marcha a ré, previa-se que as vendas de adubos poderiam gerar receita de até R$ 40 bilhões em 2008, ante R$ 17 bilhões em 2007. O salto não será mais tão grande, mas fontes do segmento ainda esperam algo próximo de R$ 30 bilhões.
O levantamento da Anda deixa claro o motivo que levou à paradeira das entregas após o "apagão" do crédito. Praticamente todos os principais produtos agrícolas não acompanharam os fortes aumentos de preços do insumo, o que significa que é preciso um maior volume de produto para comprar a mesma quantidade de adubo. Em relação a 2007, o raciocínio vale para algodão, arroz, batata, café, cana, laranja, milho, soja e trigo. Só o feijão sai ganhando.