Representantes da Câmara Setorial do Leite e Derivados têm reunião marcada para hoje com o secretário do Desenvolvimento Agrário, Camilo Santana. Eles vão reivindicar a elevação do preço do litro de leite fornecido ao programa governamental Leite Fome Zero. No caso do produtor, de R$ 0,63 para R$ 0,72. Eles também querem aumentar a distribuição diária de 54 mil litros de leite para 100 mil litros/dia. Segundo eles, o preço do produto em estados como Rio Grande do Norte e Pernambuco já foi reajustado.
Durante reunião ontem à tarde, na Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), ficou decidida a criação de dois grupos para estudo dos temas tributação e custeio. O presidente da Câmara Setorial, José Alberto Costa Bessa Júnior, explica que o setor quer uma tributação justa. Explica que a idéia é estudar o assunto, ver a carga tributária aqui e nos outros estados e propor alterações se houver necessidade. Hoje, o leite não é tributado mas os produtos lácteos, como o queijo e o iogurte, sim. Em relação ao custeio será levantado, junto com as instituições financeiras, uma forma de se antecipar ao período da safra de grãos para financiar a compra com melhor preço e estocar se preparando para o período crítico (de outubro até o início das chuvas entre janeiro e fevereiro).
De acordo com Bessa Júnior, o Ceará produz hoje um milhão de litros de leite dia para consumo da população e fabricação de derivados. Como o consumo estadual é de 1,5 milhão de litros/dia, o restante vem de outros estados. "Se tivermos uma política de produção de leite, com incentivo, assistência técnica e tecnologia, podemos chegar a 1,5 milhão de litros/dia, suprindo a necessidade do Estado e distribuindo renda no Ceará", conclui.
O diretor de Agronegócios da Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece), Francisco Zuza de Oliveira, informa que no próximo dia 31 deste mês será criada a quinta câmera setorial do agronegócio - a do camarão. Explica que esse sistema, muito utilizado na Espanha, fortalece os setor econômico. Atualmente já existem as câmaras de Frutas, Flores, Leite e Carnaúba.
Destaca que o agronegócio cearense exportou no ano passado US$ 508,5 milhões, o que representa 45% de todas as exportações do Estado que totalizaram US$ 1,14 bilhão. Entre os 15 produtos da agropecuária ele a participação da castanha de caju (35,4%), das peles e couros (28,4%), das frutas frescas (15,2%), e da cera de carnaúba (6,8%). Destaca que as vendas externas de cera este ano devem chegar a US$ 80 milhões, contra US$ 34,5 milhões do ano passado. "É uma atividade importante porque dá emprego no segundo semestre, em período de entressafra", comenta, salientando que gera 28 mil empregos em 90 municípios.
E- mais
Em 2007 as exportações de frutas cresceram 56,2% em comparação com 2006 e geraram uma renda bruta de R$ 465 milhões, nos seis principais pólos de agricultura irrigada
Em 2008 a estimativa é exportar US$ 100 milhões somente em frutas frescas. Em 2007, as vendas externas somaram US$ 77 milhões
Dados de 2007 colocam o Ceará como o maior exportador do Brasil de castanha de caju, de abacaxi, de rosas e flores tropicais, de cera de carnaúba e lagosta. E o segundo em exportação de melão, de melancia, de banana e de camarão
O Ceará hoje é o quatro estado brasileiro exportador de frutas frescas. Em 1999, era o 12º
Fonte: O Povo