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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Uso de agrotóxico em debate

O uso indiscriminado de agrotóxicos e suas consequências foram temas de audiência realizada em Iguatu

Iguatu. No Centro-Sul, não há controle nem fiscalização sobre a venda e o uso de agrotóxico. No campo, os produtores rurais utilizam o produto de forma inadequada prejudicando a própria saúde e agredindo o meio ambiente. A legislação que trata do tema não é respeitada. Essas constatações foram denunciadas, ontem, em audiência pública promovida pela Comissão do Meio Ambiente e Desenvolvimento do Semi-Árido da Assembleia Legislativa em parceria com a Câmara de Vereadores.

As autoridades locais não têm estatística sobre o volume de venda de agrotóxico e nem sobre o índice de agricultores intoxicados, que dão entrada no Hospital Regional de Iguatu. Entretanto, a realidade do uso indiscriminado de agrotóxico é de fácil constatação e foi confirmada por unanimidade pelos participantes da reunião, representantes de órgãos públicos ligados ao setor agropecuário e pelos próprios produtores rurais.

A audiência foi presidida pelo deputado estadual, Augustinho Moreira, vice-presidente da Comissão do Meio e Desenvolvimento do Semi-Árido da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, que lembrou que o uso de produtos para o combate de pragas é milenar e que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxico da América do Sul.

Já o vereador Aderilo Alcântara, proponente da audiência, lembrou que em décadas passadas, quando era produtor rural, usava agrotóxico de forma indiscriminada e sem proteção individual. "Infelizmente essa é uma realidade que existia em grande quantidade na época da cultura do algodão e que persiste hoje em dia", disse. "A maioria que age assim é por falta de orientação".

Para o presidente da Câmara de Iguatu, Ednaldo Lavor, é necessário orientar os agricultores que usam de forma inadequada o agrotóxico. "Eles fazem mal a si próprios e ao meio ambiente", frisou. "Reutilizam as embalagens em casa para armazenamento de cereais, água e até de leite". Lavor ainda observou que o quadro atual é de poluição, intoxicação dos trabalhadores rurais em face do desconhecimento do dano que o veneno pode causar e, também, por negligência das autoridades.

Falar menos e ter mais compromisso. Essa foi a frase de ordem usada pela maioria dos participantes durante a audiência pública. O agrônomo e empresário, Eugêlio Lopes, denunciou a venda indiscriminada de agrotóxico em mercearias e mercantis, sem o uso do receituário agronômico, que não é praticado na região. "Só há fiscalização para os vendedores cadastrados", disse ele. "Até as bodegas vendem agrotóxico sem nenhum controle".

A analista de risco agropecuário da Agência de Desenvolvimento Agropecuário do Ceará (Adagri), Viviane Pontes, comentou sobre as competências de fiscalização e definiu a necessidade de entendimento entre os órgãos para evitar trabalho duplo num mesmo ponto de venda. "É preciso haver postos de coleta das embalagens, que são jogadas no meio ambiente ou reaproveitadas", frisou. "A decisão de uso é de cada um, mas precisamos orientar os agricultores sobre os riscos e medidas de prevenção".

Houve questionamentos sobre a deficiência de fiscalização na venda e no uso do produto. A maioria dos vereadores exigiu rigor no combate à venda indiscriminada de veneno. "A fiscalização deve ocorrer em primeiro lugar nas lojas, contra aqueles que vendem de qualquer jeito ao agricultor analfabeto, sem fiscalização", disse o parlamentar Francisco Antunes (Jarim).

Muitos cobraram ainda da Adagri campanhas educativas e de orientação para os produtores e trabalhadores rurais.

A representante da Adagri explicou que há 25 unidades no Ceará e que os técnicos começam a ser treinados. "Defendemos um trabalho articulado, em parceria", disse Viviane Pontes. O veterinário Mauro Nogueira lamentou que o quadro de funcionários da Adagri é reduzido e que há indisponibilidade para o trabalho de fiscalização.

O deputado estadual Augustinho Moreira avaliou como positiva a realização da audiência pública que teve duração de quatro horas de debate.

"Todas as denúncias serão encaminhadas aos órgãos competentes", frisou ele. "Infelizmente, a constatação que temos é que o uso indiscriminado de agrotóxico polui diariamente o meio ambiente e prejudica a saúde dos trabalhadores rurais", salientou.

Mais Informações:
Câmara Municipal de Iguatu
Rua Santos Dumont, S/N
Centro , (88) 3581. 0177
Centro-Sul

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