Guilherme Cassel contesta dados do TCU que identificou transferência de R$ 115 milhões e alegou que 56% do total foram para a Emater nos estados e R$ 26,9 milhões para entidades que fazem assentamentos por exigência do BID
Contrariando dados do Tribunal de Contas da União (TCU), que identificou repasses federais a 43 entidades ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Guilherme Cassel, negou ontem as transferências. Em audiência na Comissão de Agricultura do Senado o ministro negou que o governo tenha repassado R$ 115 milhões ao MST, conforme denúncia feita pelo líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO).
Cassel criticou o que considera “criminalização” dos movimentos sociais, especialmente do MST. “O MST não é financiado pelo governo federal, não existe nenhuma comprovação disso”, garantiu o ministro. Ele disse ainda que não teme uma CPI para investigar o caso. A criação da comissão está sendo articulada pela bancada ruralista do DEM, que já teria as assinaturas necessárias.
O ministro alegou que 56% dos R$ 115 milhões foram repassados para Empresas de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) dos estados. Outros R$ 26,9 milhões foram para duas entidades que promovem assentamentos rurais, por exigência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). E o restante foi para as Federações de Trabalhadores na Agricultura (Fetag) de Mato Grosso, Bahia e São Paulo.
A oposição apresentou novas denúncias, que também foram rebatidas pelo ministro. A senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) mostrou novos números, do que seriam repasses a entidades suspeitas. Entre as “suspeitas”, porém, estariam a Cáritas, ligada à Igreja Católica. “Isso chega a ser ridículo”, disse Cassel.
O Dia