Uma pesquisa desenvolvida no Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da Universidade de São Paulo (USP), está criando um método mais prático e eficaz para detecção e monitoramento da febre aftosa. Com o nome de Desenvolvimento de Biossensores de Altas Seletividade e Sensibilidade para Detecção e Diagnóstico da Febre Aftosa no Brasil e Possibilidade de Monitoramento do Processo de Vacinação, ela é financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e doMinistério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
O trabalho em equipe conta com o Professor Doutor Valtencir Zucolotto, do Grupo de Biofísica do IFSC, Sérgio Mascarenhas, Gustavo Frigieri, da USP São Carlos, e Bonald Figueiredo, daUniversidade Federal do Paraná (UFPR). Zucolotto explica que o trabalho surgiu devido a necessidade de monitorar a vacinação do gado. "Atualmente, esse controle é feito apenas pela apresentação da nota fiscal. Existem também imunoensaios convencionais com o Elisa, de maior custo e necessidade de laboratórios especializados", comenta.
Os dois métodos, no entanto, têm suas complicações. O controle pela nota fiscal apenas verifica que o produtor comprou a vacina. Já o leitor de Elisa é inviável a pequenos produtores devido ao preço e as necessidades. "Além disso, ele não pode ser feito no campo, apenas em laboratório", explica Zucolotto. "Já o novo método que está sendo proposto pode ser utilizado por qualquer pessoa com formação técnica, diretamente no campo. Um kit de detecção será bem mais barato", acrescenta. Ele comenta que o valor do produto estará na casa das centenas de reais.
Segundo o pesquisador, o detector, que está em fase de patenteamento, utiliza conceitos de nanobiotecnologia. Ele afirma que o produto é composto por nanopartículas mais proteínas. "Ele detecta no animal a presença do anticorpo contra febre aftosa. Os resultados têm sido muito bons". A expectativa é de que um piloto do equipamento já esteja disponível dentro de um ano.
COMBATE À FEBRE AFTOSA
Dados do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (Pnefa), do Ministério da Agricultura, apontam que a meta é eliminar a febre aftosa do continente sul-americano esse ano. Para o Brasil, o ministro Reynold Stephanes, quer que a doença seja eliminada até 2010. A vacinação contra febre aftosa ocorre duas vezes por ano. A expectativa é que aproximadamente 400 milhões doses sejam dadas a um rebanho bovino composto por 150 milhões de cabeças de gado.
A carne bovina brasileira exportada, sobretudo, aos países da Europa tem procedência de três regiões no Brasil: o Sul, o Sudeste (menos Rio de Janeiro) e Centro-Oeste (exceto Distrito Federal). Desde 2005, o País não registra nenhum caso de febre aftosa. O último atingiu os estados do Mato Grosso do Sul e Paraná e causou um embargo ao produto. "A doença foge do controle, é um problema que existe sempre e é difícil a Anvisa controlar", observa Zucolotto.
PARA MAIS INFORMAÇÕES
Telefone: (16) 3373-9758
Fax: (16) 3372-2218
E-mail: dirifsc@ifsc.usp.br
Av. Trabalhador São-carlense, 400
Caixa Postal 369
CEP 13560-970 - São Carlos/SP
FONTE