Em dez anos, o agronegócio brasileiro cresceu, modernizou-se e ganhou produtividade, mas esse avanço não alterou uma realidade: a concentração da terra na mão de poucos proprietários, que até aumentou.
Esse retrato surge dos dados do Censo Agropecuário de 2006, divulgado ontem pelo IBGE - o último havia sido realizado em 1995 e 1996.
Indicador-síntese da desigualdade no campo, o índice de Gini da terra subiu 1,9% na média nacional de 1995/1996 a 2006, tendência apontada na maioria dos Estados. Quanto mais perto esse índice está de 1, maior é a concentração.
O coeficiente de Gini utilizado para medir a concentração de terras no Ceará registrou 0,815 no censo de 1985; 0,845 no censo de 1995 e dessa vez subiu para 0,861.
O índice relaciona a área total destinada à lavoura e à pecuária com o número de proprietários rurais. Ou seja, revela que a terra estava, em 2006, nas mãos de um número menor de proprietários do que dez anos antes.
O Povo