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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

China será segundo maior importador da agroindústria brasileira em 2030, aponta estudo da Ernst & Young e FGV Projetos

Números indicam que a produtividade agroindustrial brasileira deve continuar crescendo acima da média mundial nas próximas duas décadas; a importação global de matérias-primas agrícolas também deve crescer mais do que a de alimentos.

São Paulo- O estudo “Brasil Sustentável – Perspectivas do Brasil na agroindústria”, elaborado em conjunto pela Ernst & Young Brasil e FGV Projetos, indica que a China saltará de 7º para 2º maior mercado importador da agroindústria brasileira em 2030, movimentando US$ 2.145,7 milhões anualmente (a preços de 2007). A pesquisa aponta ainda que, ao longo desse período, as exportações da agroindústria brasileira devem crescer a uma taxa anual média de 1,3% ao ano até 2030, sendo 1% ao ano nos alimentos beneficiados e 2% ao ano no caso de matérias-primas, percentuais superiores às médias anuais desses setores, levando a um aumento de participação de mercado do Brasil no mercado global.

As exportações agroindustriais do País avançaram de forma vertiginosa no mercado mundial nos anos recentes. Em 1995, o Brasil ocupava a nona posição no ranking global, com 2,8% das exportações mundiais. Em dez anos, o share passou para 4,8% (crescimento médio anual de 10,2%, o maior do mundo), colocando o País na 4ª colocação no ranking dos maiores exportadores agrícolas, atrás de EUA, França e Holanda.

No horizonte analisado, as projeções para importações mundiais de alimentos e matérias-primas agrícolas apontam uma perda da participação relativa da maioria dos países ricos, com exceção dos EUA, acompanhada do avanço de países como a China, a Índia e o próprio Brasil. No que diz respeito à importação das matérias-primas agrícolas, por exemplo, os EUA devem manter sua participação atual de 23% em 2030. O Japão, por sua vez, deve reduzir sua parcela de 12,5% para 9,5%, movimento característico da maioria dos países ricos. Já a fatia chinesa crescerá de forma expressiva, passando de 12% para 17,4%.

As importações de alimentos deverão crescer mais nos países emergentes e populosos – notadamente China e Índia – que apresentarão um desempenho mais favorável em termos de renda per capita, incorporando grandes contingentes de novos consumidores ao mercado (ainda que, em termos absolutos, esse crescimento não vá tirar os países ricos das posições de destaque que ocupam hoje).

Segundo o estudo, as linhas gerais de movimento do mercado internacional de produtos agroindustriais apontam que, em regra, a importação de matérias-primas agrícolas – como couro, celulose e álcool – deverá crescer mais do que a de alimentos. Isso porque a demanda por esses produtos responde com maior intensidade ao aumento de renda, sobretudo nos países mais pobres. Nessas economias, há uma perspectiva de crescimento da renda familiar: a taxa de crescimento dos salários reais até 2030 será menos expressiva em países como o Japão (1,1%) e mais intensa em países como Brasil (2,5%), Coréia do Sul (2,8%) e China (6,2%).

Já a demanda por alimentos deve crescer menos que o consumo médio das famílias no período: o aumento de 2,8% no consumo médio será acompanhado de um crescimento de apenas 1% ao ano nas importações de alimentos. A razão disso é que o consumo de alimentos responde aos incrementos de renda de forma cada vez menos intensa na medida em que as famílias elevam seu padrão de vida. No Brasil, a despeito da elevação projetada do PIB (4,0% anuais) e do consumo de alimentos (2,9% anuais), as importações de alimentos crescerão a taxas menores (2,0% ao ano), resultado do bom desempenho da produção interna.

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