Começou, em São Paulo, a Biofach, a maior feira de orgânicos do país. Além de expositores brasileiros, participam do evento representantes de 15 países.
Arrancar um a um os pés de mato na plantação de alho poró. Esse é o ofício da trabalhadora rural Patrícia Cordeiro. “Tem que ser com muito capricho. Não dá para pegar com a enxada porque afeta as raízes. Então, tem que catar mato”, disse.
Ela trabalha no sítio do agricultor Massami Yoschizumi, em Ibiúna, no sudeste paulista. Produtor e agrônomo, há nove anos ele trocou a lavoura convencional pela orgânica. Acha que usar adubo natural ao invés de produtos químicos é uma forma de melhorar a qualidade de vida respeitando a natureza.
“Ter um alimento mais saudável com a preservação do meio ambiente é o caminho. Eu acho que a gente tem que estar sempre seguindo as tendências”, explicou seu Yoschizumi.
O seu Yoschizumi é um dos 14 integrantes da Associação de Pequenos Produtores Orgânicos de Ibiúna. O que ele produz vai para a central que embala e distribui as mercadorias para os grandes centros consumidores.
O pé de alface crespa, o repolho e outras hortaliças produzidas em Ibiúna ganharam uma enorme vitrine em São Paulo. A Biofach é a maior feira de produtores orgânicos da América Latina, que reúne este ano 340 expositores de 15 países.
Em cada estande há produtos que estão ganhando mercado. Não é necessário andar muito para encontrar as novidades. Há cosméticos, como batom feito com óleo à base de óleos orgânicos, pêssego e cera de carnaúba. No pó de maquiagem são usados extratos beterraba e avelãs.
Para quem quiser brindar de maneira mais natural, também está chegando ao mercado o espumante orgânico. O produtor de espumante Acir Boroto foi de Garibaldi, no Rio Grande do Sul, para mostrar a bebida na feira. “Garibaldi já é a capital do espumante e agora do espumante orgânico também”, falou.
Tantas novidades rendem bons negócios. Foi o que disse Eduardo Caldas, diretor da Apex Brasil, órgão do governo federal criado para estimular as exportações. “Nós temos 70 empresas no projeto que fazem, na verdade, uma grande opção de compra para nossos convidados. Temos que perceber que são mercados com grande poder aquisitivo, que podem comprar produtos de qualidade brasileiro e que falta apenas o encontro entre compradores e vendedores. É isso que estamos tentando proporcionar”, disse.
A feira termina hoje sexta 30.