- No ano, o álcool hidratado acumulou alta de 14,84% até outubro no atacado, mas este avanço é algo recente - disse o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, durante entrevista para detalhar a taxa geral do IGP-M deste mês, que registrou variação de 0,05%.
- Até dois meses atrás, a variação do álcool estava próxima de zero. Já o álcool no varejo acumulou alta de 6% até outubro e chegou a ter um processo de queda durante uma parte do ano - lembrou o especialista da FGV.
De acordo com Quadros, o motivo do avanço do preço do álcool é bem conhecido pelo mercado: as exportações de açúcar cresceram em função do período de quebra de safra da cana-de-açúcar na Índia. Como açúcar e álcool são derivados da cana-de-açúcar, e houve uma necessidade maior de vender ao exterior o primeiro produto, o valor do álcool sofreu uma influência de alta no Brasil semelhante à observada no açúcar no mercado interno recentemente.
Outro detalhe importante para o aumento do preço do combustível é a redução na oferta, em virtude das chuvas atípicas do final de setembro, que paralisaram a moagem da cana-de-açúcar e a produção de etanol.
O processo de alta do combustível derivado da cana também foi observado no álcool anidro, que é utilizado na mistura da gasolina. Em outubro, o preço do produto teve aumento de 14,27% no atacado, ante elevação de 5,05% em setembro. No ano, o anidro acumula variação de 17,88%. A gasolina, por sua vez, também apresenta alta, tanto no atacado quanto no varejo, embora mais modesta.
No atacado, o preço do combustível subiu 1,04% em outubro, ante 0,39% em setembro, e acumulou variação positiva de 3,74% no ano. No varejo, avançou 0,64% em outubro, ante variação zero no mês anterior, acumulando alta de 0,60% em 2009.
Jornal do Brasil