O cultivo do feijão caupi, quando feito com grãos selecionados, pode apresentar maior produtividade.
Fortaleza. O feijão caupi (Vigna unguiculata L. Walp), por muito tempo, foi encarado como uma cultura de subsistência em que agricultores de pequeno porte cultivavam o mesmo em ambientes não adequados com a utilização restrita de insumos tecnológicos. O Programa de Melhoramento do Feijão Caupi inovou por realizar, em parceria com as instituições de pesquisa e extensão rural das regiões Norte/Nordeste, ensaios em multi-locais, a seleção das melhores cultivares com a participação de pesquisadores, extensionistas e produtores.
Nos últimos anos, com a continuidade das pesquisas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e seus parceiros, o feijão caupi vem adquirindo maior expressão econômica, e seu cultivo, além de continuar sendo feito por agricultores familiares, é também realizado por grandes produtores que utilizam alta tecnologia, e seu mercado vem se expandindo para além das fronteiras. O pesquisador João Pratagil Pereira de Araújo desenvolve, desde 1976, projeto de melhoramento genético do feijão caupi, envolvendo 14 instituições brasileiras, das regiões Norte e Nordeste, e 80 pesquisadores.
Isto resultou no desenvolvimento e lançamento de 11 cultivares de feijão caupi, com características de adaptação local, maior produtividade, melhor qualidade e resistência aos principais problemas tais como: pragas, doenças, tolerância à seca, entre outras características proporcionadas por avanços científicos e tecnológicos que possibilitam, inclusive, a mecanização da colheita conforme a variedade de grão utilizada como semente. O que antes só se podia fazer manualmente, já se pode fazer de forma rápida e mecanizada, com benefícios tanto aos agricultores familiares quanto empresariais. O grande exemplo da viabilização dessa tecnologia pode ser constatada no Estado de Mato Grosso, em Primavera do Leste, onde estão sendo cultivados 130.000ha de feijão caupi, após a colheita da soja, com plantio e colheita mecanizada, com produtividades de até 60 sacos por hectare (1.800kg/ha). Produtores desse município, além de comercializarem o feijão caupi no mercado interno, estão exportando-o para India e outros países.
Diferentes nomes
O feijão caupi é um grão conhecido por cerca de 40 nomes diferentes no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. Também é chamado de feijão-fradinho, manteiguinha, feijão-da-colônia, feijão-de-estrada, feijão-macassar e feijão-de-corda.
O pesquisador e atual presidente da Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará (Nutec), João Pratagil, recebeu homenagem especial durante o II Congresso Nacional de Feijão Caupi (Conac), realizado em Belém do Pará pela sua valorosa contribuição na organização e desenvolvimento do Programa Nacional de Pesquisa de Feijão Caupi, da Embrapa, quando atuava no Centro Nacional de Pesquisa de Arroz e Feijão.
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