Depois de um ano-safra atípico onde os preços dos fertilizantes bateram recordes históricos, o plantio de verão para os agricultores gaúchos se mostra mais favorável. Isso porque os preços dos adubos caíram de uma média de R$ 1,6 mil a tonelada para próximo de R$ 1,1 mil, fator que levou muitos a antecipar a compra do insumo. “Temos até o final de outubro como período forte para a aquisição”, declarou o presidente da Comissão de Grãos da Farsul, Jorge Rodrigues.
O dirigente criticou a postura de muitas empresas de fertilizantes que, na opinião dele, impuseram preços abusivos aos produtores no ano passado. Para ele, essa redução nos valores é mais uma prova do “comportamento ditatorial dessas empresas, em 2008.”
O vice-presidente da Cotrijal, Jairo Marcos Kohlrausch, informou que na região de Não-Me-Toque, área atendida pela cooperativa, a procura por fertilizantes tem sido mais equilibrada. “Dessa vez, os agricultores estão comprando sem pressa, pois há cerca de 60 dias o que se verifica é uma redução gradual dos preços dos adubos”, informa. Apesar de os preços estarem mais atraentes em relação ao ano passado - em alguns casos a queda é de até 50% - Kohlrausch salienta que mesmo com o recuo dos preços da matéria-prima os adubos ainda estão com cotação elevada. “O valor praticado agora se aproxima do normal de mercado, mas ainda longe de estar barato.”
O dirigente diz que a melhor forma de adquirir fertilizantes na atual conjuntura é através da troca por grãos. “O produtor que tiver soja para trocar por adubo, faz um ótimo negócio.” Por outro lado, ele ressalta que a opção por financiamento bancário para a aquisição dos insumos é muito arriscada, em função da tendência de queda dos preços dos grãos, especialmente da soja, para o próximo período. “Há uma grande dúvida pairando no ar, sobre como estarão os preços das commodities em 2010”, adverte. A instabilidade, segundo Kohlrausch se deve ao indicativo de safra cheia nos Estados Unidos, o que deve aumentar a oferta internacional e retrair os preços nos países grandes produtores, caso do Brasil. Além disso, reflexos da crise sobre o consumo mundial é outro fator que pode contribuir para uma maior oferta da oleaginosa.
Sobre o impacto da queda dos preços no uso de mais tecnologia nas lavouras, Rodrigues acredita que para a safra 2009/2010 os produtores retomem os padrões tecnológicos usados em períodos anteriores. O dirigente da Cotrijal acrescenta que a grande aposta dos produtores deve ser em tecnologia para garantir aumentos significativos em produtividade. Segundo dados da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda), a expectativa é de repetir neste ano as quantidades de fertilizantes entregues em 2008, que somaram 22,4 milhões de toneladas.
Jornal do Comércio