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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Moody´s concede grau de investimento para a dívida pública do Brasil

A Moody´s, uma principais agências internacionais de risco, decidiu elevar ao nível de "grau de investimento" a dívida pública brasileira (externa e interna). A avaliação brasileira subiu de "Ba1 para Baa3". Com isso, o país já tem avaliação positiva de todas as maiores agências avaliadoras, incluindo aStandard & Poors e a Fitch.

O "grau de investimento" permite que o governo brasileiro pague juros menores ao vender títulos no mercado internacional e local. Um dos efeitos práticos é um espaço maior para redução da taxa de juros brasileira.

Segundo o comunicado da Moody´s, o Brasil atravessou bem a instabilidade financeira internacional no último ano, com "uma modesta e rápida contração do PIB". Também pesou na decisão a solidez dos bancos brasileiros que, ao contrário de norte-americanos e europeus, não quebraram.

"O upgrade [aumento da nota] reflete o reconhecimento da Moddy´s em relação à capacidade do país em absorver o choque da crise, incluindo as medidas tomadas pelas autoridades", disse o responsável pela avaliação de países latino-americanos da Moody´s, Mauro Leos.

Apesar da melhora de avaliação, a Moody´s espera que oProduto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve ter uma queda em 2009 e que as contas públicas vão sofrer uma deterioração neste ano.

MEIRELLES: BRASIL ESTÁ SAINDO FORTE DA CRISE

A classificação dada no último dia 22 a economia brasileira como grau de investimento pela agência de classificação de risco Moody’s foi "um acontecimento importante" e demonstra que o Brasil está saindo da crise econômica mais forte do que a maioria dos países, disse o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles.

"Tudo isso mostra que o Brasil tem condições de sair de fato mais forte dessa crise. Uma agência como essa, conservadora, considera o país vencedor, isto é de fato um selo que confirma tudo aquilo que está sendo falado pelo presidente [Luiz Inácio Lula da Silva]", afirmou.

Segundo Meirelles, a expectativa é de que outras agências de classificação, como a S&P (Standard & Poor’s), façam um movimento similar ao da Moody’s, que, além de elevar o rating (pontuação) brasileiro, também deu uma perspectiva positiva à dívida do país. "O mínimo que a S&P pode fazer é empatar o jogo".

Segundo o presidente do BC, a classificação dada pela Moody’s poderá significar uma melhora na qualidade dos investimentos no país.

"O fato de ser a última [agência a dar o grau de investimento] tem uma consequência importante, que não é necessariamente de curto prazo. É a chamada melhora da qualidade dos investimentos. Isto é muito importante para o país. Não podemos melhorar só o fluxo, temos que melhorar também a qualidade dos investimentos. Quanto melhor a perspectiva e a reputação do país, mais teremos investimentos de longo prazo", disse.

ACERTO DA POLÍTICA ECONÔMICA

A elevação do Brasil a grau de investimento pela agência de classificação de risco Moody's reflete o acerto da política econômica nos últimos anos, avalia o Tesouro Nacional.

Em nota divulgada, a Gerência de Relacionamento Institucional do órgão afirma que a responsabilidade fiscal contribuiu para melhorar a percepção dos investidores internacionais, mesmo após o agravamento da crise.

"Tal fato demonstra que o pragmatismo da política econômica, sem perda da austeridade e da responsabilidade que a tem guiado, ao tempo que ajudou o país a evitar a desaceleração econômica, permitiu ao país reduzir os custos e riscos da gestão da dívida pública", destacou o Tesouro.

Na nota, o Tesouro ressaltou, ainda, que o Brasil foi o primeiro país a ser elevado a grau de investimento, desde setembro de 2008, quando o banco norte-americano Lehman Brothers faliu, elevando a gravidade da crise econômica mundial.

Também foram destacados trechos do relatório da Moody's em que a agência de classificação de risco apresenta uma perspectiva favorável à evolução da dívida pública brasileira por causa da queda dos juros.

"As condições econômicas parecem ser favoráveis para constantes reduções dos indicadores de dívida do governo, devido à perspectiva de crescimento no curto prazo e à probabilidade de que as condições macroeconômicas continuarão validando taxas de juros de um dígito, condição que mudaria de maneira fundamental a dinâmica da dívida", afirmou a Moody's.

O Tesouro reproduziu outro trecho do relatório, no qual a agência de classificação ressalta que a ausência de desequilíbrios na economia contribuiu para a melhoria da percepção dos investidores: "A ausência de desequilíbrios macroeconômicos fundamentais na economia brasileira é uma condição favorável, visto que coloca o país numa posição privilegiada em relação aos outros créditos soberanos na mesma categoria de rating [classificação de risco] e que têm maiores desafios fiscais e externos."

O grau de investimento representa a garantia de que o país não corre o risco de dar calote na dívida pública. A classificação permite a atração de investimentos internacionais, principalmente fundos de pensão estrangeiros, para aplicar recursos no Brasil.

A Moody's foi a última das grandes agências de análise de risco a elevar o Brasil a grau de investimento. Em 30 de abril do ano passado, a Standard&Poor's tornou-se a primeira agência a conceder a classificação ao país. Um mês mais tarde, em 29 de maio de 2008, a Fitch também incluiu o Brasil na categoria.

DESTAQUE NO CENÁRIO MUNDIAL

O economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos(Febraban) , Rubens Sardenberg, disse ontem (23/9) que não foi surpresa o fato de o Brasil ter obtido a classificação de grau de investimento (investment grade) da agência norte-americana, Moody's, o que significa que o país tem condições de honrar compromissos e não representa risco para os investidores estrangeiros.

A classsificação baseou-se na capacidade do país ter contornado os efeitos da crise financeira internacional. Para Sardenberg, a análise positiva possibilitará maior ascensão do país na economia mundial.

"Apesar de já esperada, destaque-se que a concessão do grau de investimento pela Moody's veio acompanhada de uma avaliação especialmente positiva da economia brasileira, dos seus fundamentos, da qualidade da sua política econômica e das respostas do país à crise financeira internacional".

Na avaliação do economista, a Moody's reconheceu que "o Brasil vai ocupar um papel de grande destaque no desenho da economia mundial no pós-crise". Uma das principais agências internacionais de risco, a Moody's, elevou a classificação do Brasil de "Ba1" para "Baa3".

Em nota, o responsável pelas análises da Moodys, na América Latina, Mauro Leos, informou que, ao elevar o grau de investimento do Brasil, a agência reconhece "a capacidade de absorção de choques, incluindo a capacidade de respostas das autoridades e aponta para uma melhora significativa do perfil de crédito soberano do Brasil".

Essa foi a terceira análise positiva recebida pelo Brasil. Considerações semelhantes foram feitas por duas agências de risco: a Standard & Poors e a Fitch.

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