Pequenos agricultores estão de olho nos investimentos das grandes indústrias. Os investimentos das grandes indústrias de laticínios mexem com a agricultura familiar da Região Norte, responsável por quase 25% de toda a produção de leite do Rio Grande do Sul. Pode ser uma chance de diversificar os negócios. Na área, 97% dos produtores estão em pequenas propriedades.
– Esta é uma região rica, com pasto vasto. Se o clima favorecer, só temos a ganhar com o aumento da produtividade em função das indústrias aqui existentes – anima-se o produtor leiteiro Gustavo Dal’Maso.
A Bom Gosto, de Tapejara, é a quarta maior empresa em volume de captação de leite no país. Sua capacidade de produção chega a 3 milhões de litros diários, que correspondem a 1,1 bilhão de litros por ano.
A empresa vende 12 linhas diferentes de produtos, que incluem leite UHT, leite em pó, leite condensado, creme de leite, manteiga, queijo, requeijão, iogurte, bebida láctea e bebidas à base de soja e sucos de fruta.
O grupo tem 19 unidades industriais no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco e Mato Grosso do Sul. Emprega 2,8 mil funcionários e integra 28 mil produtores. Não é de se surpreender que a empresa prepare a expansão de seus negócios para o Exterior.
Entre os investimentos previstos, está a construção de uma fábrica no Uruguai, com capacidade inicial de processamento de 400 mil litros por dia. Antes, a Bom Gosto vai inaugurar uma nova unidade de leite em pó em Tapejara, para produzir diariamente 600 mil litros, e comprar outra em Garanhuns (PE), para consolidar os mercados do Norte e Nordeste do país.
Outra a investir no norte gaúcho é a Italac, já fixada em Passo Fundo. Na fábrica, com capacidade para 300 mil litros por dia, serão produzidos leite em pó, achocolatados, creme de leite e leite longa vida.
O INVESTIMENTO DA ITALAC EM PASSO FUNDO CHEGA A R$ 62 MILHÕES
A primeira etapa é a construção da usina de beneficiamento. A Italac investiu R$ 20 milhões e criou 150 empregos diretos, além de mil indiretos, entre produtores, transportadores, comerciantes e prestadores de serviços ligados ao agronegócio.
Com as duas etapas seguintes, os investimentos chegarão a R$ 62 milhões. Na segunda, está prevista a ampliação da usina, para a instalação de uma linha de creme de leite UHT e leite aromatizado. A terceira etapa será a construção da fábrica de leite em pó e condensado. No final do projeto, a capacidade de produção diária deverá atingir 1 milhão de litros.
O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/RS) mantém o Polo Regional de Suinocultura e Leite do Planalto e Norte. Fazem parte os produtores de leite e suínos ligados a cooperativas e indústrias de Tio Hugo, Passo Fundo, Espumoso, Sananduva, Sarandi, Ibirubá e Cruz Alta.
O grupo trabalha para aumentar a produtividade e a qualidade do leite. A meta é subir 5% a quantidade produzida por vaca até o final deste ano e mais 5% em 2010.
Fonte: Zero Hora