A suinocultura, considerada pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, como a área do setor rural com mais problemas, foi beneficiada no último dia 24 com a prorrogação, por mais um ano, da linha especial de crédito com uma taxa de juros de 6,75% ao ano, que terminaria no dia 30 de setembro. Os produtores de laranja, mel, lã ovina e leite de ovelha e de cabra também foram atingidos pela medida.
O preço de referência será de R$ 1,90 por quilo de suíno vivo, e o prazo para o reembolso é de 180 dias. O limite de financiamento é de R$ 250 mil por produtor e de R$ 20 milhões para a agroindústria, sendo obrigatória a comprovação de que não gastou com cada produtor de suíno mais que R$ 250 mil.
"A medida, proposta pelo Ministério da Agricultura, atende a uma demanda do setor, diante da situação de preços baixos com a oferta maior do que a demanda", disse, por meio de nota, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Edilson Guimarães.
OUTROS PRODUTOS
No caso da laranja, o limite de financiamento é de R$ 600 mil por produtor. A agroindústria do setor, no entanto, deve comprovar, para acessar o limite de R$ 20 milhões, que adquiriu, no máximo, R$ 88 mil reais em produtos de cada agricultor. Segundo o coordenador de Crédito Rural da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Francisco Erismar, o objetivo é que mais pessoas sejam beneficiadas com a linha de crédito.
Para a lã, o mel e o leite, cada produtor poderá acessar até R$ 170 mil. "Há muitos produtores com problemas de comercialização por ter uma estrutura de produção dispersa ou incipiente ou por preços baixos e precisam carregar os estoques para a venda futura, para conseguirem preços melhores", afirmou Erismar, explicando o objetivo da linha de crédito e a escolha dos produtos.
JAPÃO E CORÉIA DO SUL DEVEM IMPORTAR CARNE SUÍNA DE SC
O secretário da Agricultura de Santa Catarina, Antonio Ceron, esteve no Japão e Coréia do Sul numa missão chefiada pelo secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Ivan Ramalho e do presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro Camargo. O encontro foi durante os dias 15 a 17 de setembro, para tratar da exportação de carne suína para os dois países.
Durante as reuniões em Tóquio, a comitiva foi acompanhada pelo embaixador do Brasil no Japão, Luiz Augusto de Castro Neves, e recebida pelo diretor-geral do Ministério da Agricultura japonesa, Masayuki Yamashita. Segundo Ceron, as autoridades japonesas informaram que na questão de regionalização são utilizados quesitos técnicos e científicos no que se refere à sanidade animal. "O Japão está fazendo estudos muito criteriosos. Haverá mais uma série de análises antes do envio da equipe técnica a Santa Catarina para uma avaliação final", comenta Ceron.
Para Ramalho, a abertura, ou venda de carne suína catarinense ao Japão é prioridade do Governo Federal na política de intercâmbio comercial entre Brasil e Japão. No encontro, Ceron apresentou um relato da carne suína no Estado mostrando números de produção, exportação e consumo, além da entrega de material escrito, com todos os dados e condições sanitárias.
Neves foi incisivo ao cobrar das autoridades japonesas uma definição para o caso da carne suína de Santa Catarina. Disse que em 2009, a relação entre os dois países (Japão e Brasil) foram boas, exemplificando a entrada da TV Digital no país. Lembrou o embaixador que, em maio de 2009, aOrganização Mundial de Saúde Animal (OIE) aceitou o conceito da regionalização, ou seja, se um país tem uma região onde garante uma sanidade diferenciada das demais, não há motivos para ter todas as suas exportações proibidas.
As autoridades japonesas afirmaram que a mudança política que está acontecendo no país atrasou o processo. Eles se comprometeram em definir as importações com Santa Catarina assim que haja recomposição do novo governo. "Estamos otimistas porque o Japão precisa do nosso produto e nós o temos com qualidade sanitária exigida e a cadeia produtiva eficiente e organizada", explica Ceron. "Daqui para frente há a necessidade de um acompanhamento constante das negociações", recomenda.
"As negociações com a Coréia do Sul estão numa fase mais inicial", diz Ceron. A Coréia importa 250 mil toneladas de carne suína por ano e demonstrou o interesse na importação de carne bovina de Santa Catarina. No momento, o país está em fase de análise das questões sanitárias, incluindo a regionalização. "Há uma certa pressão dos produtores coreanos contra a importação de um modo geral, embora precisam importar carnes suína e bovina. Eles são produtores e nós seríamos um grande concorrente", explica. O Ministério da Agricultura da Coréia em conjunto com o Ministério da Agricultura do Brasil irá definir a vinda de uma missão técnica a Santa Catarina, ainda esse ano.
FILIPINAS
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, através dos funcionários Lino Colsera e Denise Euclydes Mariano da Costa estiveram nas Filipinas entregando a documentação da certificação sanitária de Santa Catarina. Esse documento foi solicitado na ocasião da divulgação da abertura do mercado para carne suína aquele país.
CHINA DECIDE EXIGIR CERTIFICADO DE PORCOS
A chefe da Comissão de Saúde da União Europeia expressou preocupação com um plano chinês de exigir certificados específicos para porcos importados, alegando que a decisão seria uma forma de proteger o país do risco de aumento de casos de gripe suína.
O esquema, revelado de forma discreta no dia 18 de setembro, preocupou Androulla Vassiliou. Ela afirma que decisão chimesa poderá afetar a importação de porcos de outros países, incluindo a Grã-Bretanha, a França e a Dinamarcam, e afirmou que a medida decretada pelo governo chinês não faria sentido, já que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), os porcos não são capazes de transmitir a gripe suína para seres humanos.
A União Europeia teme que a imposição possa causar prejuízo aos produtores em nível mundial. "É uma grande preocupação para nós, pois parece uma medida protecionista", afirmou Androulla, em Pequim.
FONTE