A Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (Seagri) vai receber formalmente uma pesquisa encomendada pela Cooperativa de Produção Leiteira de Alagoas (CPLA) que avalia os custos de produção dos laticínios que participam do Programa de Aquisição de Alimentos na Modalidade Especial Leite (PAA Leite).
A decisão é apenas um dos encaminhamentos decididos nesta terça-feira (22), durante reunião ampliada entre membros do setor industrial, fornecedores de leite, governo do Estado e a coordenadora do Programa do Leite pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Zorilda Araújo.
De acordo com ela, em outubro haverá uma reunião em Brasília que vai decidir qual será o preço do leite durante os anos de 2010 e 2011. “Essa reunião vai contar com a presença dos secretários estaduais de Agricultura dos 10 Estados contemplados pelo PAA e dos respectivos coordenadores do programa”, afirmou Zorilda Araújo.
Enquanto essa decisão, que terá efeito a longo prazo, não sai, os produtores ligados à CPLA decidiram que vão marcar uma audiência com o governador Teotonio Vilela Filho para saber o que pode ser feito antes disso.
Para Zorilda, é necessário também que a categoria cobre da bancada nordestina no Congresso Nacional o aumento de recursos do orçamento para o Programa do Leite.
Pesquisa de custos — Em Alagoas, o PAA Leite compra diariamente mais de 53 mil litros de leite de vaca a R$ 1,20 cada litro. Desse total, R$ 0,50 vão para os laticínios, que fazem o empacotamento e a distribuição do produto, e R$ 0,70 vão para o produtor familiar. Segundo a pesquisa da CPLA, o custo médio de produção de cada litro de leite é de R$ 1,41, havendo variações de R$ 1,23 a R$ 1,66.
De acordo com o presidente da CPLA, Ricardo Barbosa, está havendo um diálogo muito bom entre os níveis federal, estadual e os produtores. “Houve um aumento justo no preço do leite repassado aos agricultores familiares, que desde que o programa foi criado concedeu-lhes aumento de 50%, mas é necessário também que haja um reajuste para o setor industrial”, comentou Ricardo Barbosa.
Entre os presentes na reunião, todos concordaram que o preço atual pago aos laticínios está defasado, por isso, algumas soluções estão sendo buscadas em conjunto. “Nós é que provocamos essa reunião porque sabemos e entendemos o pleito do setor, por isso, faremos todos os encaminhamentos técnicos necessários”, disse o secretário estadual de Agricultura, Jorge Dantas, que já garantiu presença na reunião que haverá em Brasília para decidir o preço do leite nos próximos anos.
Segundo ele, no governo atual foram incluídos no PAA Leite os pequenos produtores que estavam organizados. “Hoje eles já representam mais de 20% do leite que é comprado pelo programa”, ressaltou Dantas.
Cadeia produtiva — De acordo com dados do MDS apresentados pela coordenadora do PAA Leite, Zorilda Araújo, desde que foi criado pela Lei 10.696, em 2003, o programa contribui para a ampliação do nível de investimentos em máquinas, equipamentos, instalações de produção, qualidade e higiene do produto.
Ainda segundo esses dados, em Alagoas as aquisições do PAA Leite chegam a 8% da produção total de leite no Estado e 16 laticínios estão envolvidos no programa. De acordo com o MDS, em todo o Nordeste, 31% dos laticínios que atendem ao PAA Leite foram criados nos últimos sete anos, sob influência direta do programa.
Segundo Zorilda Araújo, por conta do preço, o PAA tem concorrentes: os grandes laticínios, as queijarias e o mercado informal, que podem oferecer um preço maior ao produtor rural. “Por outro lado, o preço do mercado varia de acordo com a época do ano, sendo menor que o preço do PAA em alguns momentos, tendo em vista que este não varia”, enfatizou a coordenadora.
A reunião ampliada foi realizada na sede do Sebrae em Maceió e contou também com a presença de técnicos da Seagri, da superintendente de Fortalecimento da Agricultura Familiar, Inês Pacheco, que coordenou os trabalhos, de representantes das secretarias estaduais de Desenvolvimento Econômico, Energia e Logística (Sedec) e Assistência e Desenvolvimento Social (Seads), a coordenadora do PAA Leite de Pernambuco, Carmem Patrícia Rodrigues, e presidentes de associações de produtores.