A primavera começou sob a ação de uma frente fria que chegou ao Sudeste, trazendo chuva para o Estado de São Paulo e volumes expressivos para Jaboticabal, Ribeirão Preto, São Carlos e Iguape, com mais 60 milímetros acumulados em três dias.
Entre segunda e quinta-feira, o tempo nublado manteve a temperatura máxima abaixo de 30 graus. Após a passagem do sistema frontal, uma massa de ar polar baixou a mínima para 10 graus em Piracicaba, Jaú, São Carlos e Sorocaba. Domingo, a baixa umidade do ar e o céu limpo elevaram a máxima acima dos 34 graus em Barretos, Ilha Solteira, Jaboticabal e Votuporanga.
O elevado volume chuva manteve a umidade do solo próxima da capacidade máxima de armazenamento, condição atípica para o início da primavera. Nos últimos três anos, a umidade média do solo no Estado, no começo da primavera, ficou em torno de 20%; este ano, é de 93%.
A chuva regular e contínua, desde o início do inverno, favorece a produção de leite, com menor exigência de suplementação alimentar das vacas, além de evitar perda de peso do gado de corte.
PREJUÍZOS
Nas culturas em fase de maturação e colheita, o tempo continua provocando prejuízos. O excesso de água no solo tem prejudicado a colheita da mandioca, elevando os preços da fécula por causa da queda na oferta da raiz. Nos pomares de manga de Fernando Prestes, Cândido Rodrigues e Monte Alto, a chuva excessiva e o frio causaram abortamento de flores e, agora, a umidade afeta a maturação dos frutos, reduzindo a qualidade e dificultando a comercialização.
O tempo chuvoso afetou a safra da cana-de-açúcar em Jaú, Piracicaba, Ribeirão Preto e Ourinhos. O custo de produção subiu e houve redução do rendimento industrial da gramínea, justamente no período de colheita e processamento - de julho a setembro.
A chuva tem prejudicado a maturação e dificultado a colheita do morango em Atibaia e Jarinu; da cebola em Monte Alto e São José do Rio Pardo; do café em Franca, Garça e São José do Rio Pardo; da cevada, aveia e trigo em Itapeva, Itaberá, Itapetininga e Buri e do tomate em Cafelândia, Sumaré e Ribeirão Branco.
*Fábio Marin é pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária. Para mais informações sobre tempo e clima, acesse www.agritempo.gov.br
Estadão