Notícias da Hora

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

AGRICULTORES ADMITEM DESTRUIR LEITE IMPORTADO

A Associação Nacional de Produtores de Leite e a Confederação Nacional de Agricultura lançam, desde já, um ultimato ao próximo Governo, "qualquer que seja", para que não perca tempo em estudos e análises aos problemas do sector.

"Caso contrário, uma grande parte dos cerca de 10 mil produtores portugueses desaparecem no espaço de seis meses a um ano", afirmou, ontem, João Dinis, do CNA, numa conferência de imprensa, em Aveiro, a cidade onde os agricultores vão lançar um primeiro aviso ao próximo Governo, com uma manifestação agendada para a abertura da Agrovouga, no dia 21 de Outubro.

João Lobato, da APL, revelou que a situação dos produtores agrava-se todos os dias devido à diminuição do preço pago ao produtor, que nesta altura ronda os "20 cêntimos por litro", um valor que "dá prejuízo" aos produtores, atendendo ao aumento dos custos de produção, como o combustível e as rações. A APL considera que "o valor mínimo para os agricultores não terem prejuízo é de 40 cêntimos e para terem algum lucro o leite tem de ser pago a 45 cêntimos o litro ao produtor". Recorda que o valor actual já se registava há 20 anos e nessa altura o gasóleo agrícola, por exemplo, custava 32 cêntimos o litro, estando agora a 68.

A APL criticou igualmente a banca "por não estar, numa altura de crise, a aceitar o pedido de renegociação das dívidas contraídas pelos produtores para modernizar as explorações". "Se a banca continuar com esta postura, muitas explorações vão fechar", alertou João Lobato.

A "situação de desespero" pode levar, admitiu João Dinis, a comportamentos radicais: "Os nosso produtores não têm hipóteses de mandar leite para o rio, como estão a fazer agricultores em outros países da Europa, mas podem interceptar cisternas com leite importado e derramá-lo na estrada".

A CNA e a APL continuam a ter dúvidas relativamente à qualidade do leite importado e que é vendido pelas grandes superfícies a cerca de 40 cêntimos o litro, por isso, uma das primeiras medidas que vai solicitar o novo Governo é a fiscalização das marcas brancas.

Fonte: jn.sapo.pt

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