O consumidor que se deparou com os altos preços do leite nos últimos meses, agora já pode comprar o produto por um preço cerca de 20% mais barato. No inverno em virtude da redução das pastagens há um aumento natural do preço do produto e também há o aumento do consumo. Em 2009 este fator veio acompanhado da estiagem e o preço do leite subiu antes da chegada da estação fria.
Em janeiro o litro custava em média R$ 1,49, em oferta podia ser comprado por R$ 1,19. No início de junho algumas marcas ultrapassavam a casa dos R$ 2. Ontem a reportagem esteve em dois supermercados de Cascavel para verificar como estão os preços do leite. No Irani do Pacaembu, o leite longa vida mais barato custava R$ 1,69 e o de pacote R$ 1,49. No Beal da Avenida Brasil, o longa vida custava R$ 1,49 e o de pacote R$ 1,56.
Na casa de Rosane França Rego são consumidos três litros de leite por dia. Na hora de fazer a compra do produto ela escolhe o que está em oferta. “Sempre compro o que está mais em conta porque lá em casa consumidos bastante leite”.
Inelsa Libera Gennari consome um litro de leite todos os dias. Quando recebe visitas o consumo aumenta para dois litros diários. Ontem ela aproveitou para levar uns litros a mais e fazer um estoque, já que o preço teve uma boa reduzida.
Com a redução do preço nos supermercados o valor pago pela tabela da Coseleite já apresenta redução no valor que será pago ao produtor de leite. O maior valor pago para o mês de julho é de R$ 0,8157 já para agosto está em R$ 0,7475. Gilmar Antonio Rotta, do Laticínio Straik, de Toledo, diz que a empresa recebe todos os dias entre 8 e 10 mil litros de leite. O valor que o laticínio paga ao produtor está na média de R$ 0,78 e o preço de venda é de R$ 1,20. “A oferta aumentou bastante nos últimos dias e muito cedo em relação aos outros anos pela quantidade de pessoas que tem entrado na atividade leiteira, inclusive muitos sem uma qualificação no seu produto”.
Para entregar leite ao laticínio, a empresa primeiramente conhece a propriedade para verificar suas condições e depois o interessado ainda deve passar um dia no laticínio para conhecer todo o processo que envolve o produto desde o armazenamento até o seu destino final. Gilmar espera que o preço pago ao produtor reduza, caso contrário não cobre os custos de produção.
Se o laticínio reclama do preço que paga ao produtor e do que recebe pela revenda que não cobre os custos, o produtor, responsável por abastecer os laticínios com a matéria-prima, também não está satisfeito com a situação. Jair Nunes, do Reassentamento São Francisco, produzia 1,7 mil litros de leite/dia em junho. Em maio recebia por litro R$ 0,71 e agora reclama da queda do preço de quase R$ 0,10 nos últimos dias. “Quando cai o preço no mercado quem já pagou a conta foi o produtor. Se baixou 20% quem pagou mais que isso foi o produtor. O leite teve redução de preço, mas os derivados não”.
A produção atual de Jair está em 2 mil litros/dia e o produtor reclama que a queda no preço não deve cobrir os custos de produção. “Se o preço caiu tudo isso em poucos dias, imagina quando chegar o verão. O preço costuma cair a partir de outubro, mas ninguém fala nada porque caiu agora. Eu acho que não está sobrando leite no mercado”.
Segundo Jair, ele não pode parar de produzir, mas para continuar na atividade será necessário reduzir custos. Em sua propriedade trabalham quatro funcionários e caso seja preciso irá reduzir o quadro, além de diminuir a quantidade de alimento oferecida para o gado. “Faço três ordenhas por dia, se o preço continuar caindo vou passar a fazer duas. Terei que reduzir custos e produção para continuar na atividade”.
O alimento usado para tratar o gado no verão, de acordo com Jair, costuma aumentar no verão e o preço do leite tem queda significativa de novembro até fevereiro. “O produtor de leite tem apenas dois meses de preço mais ou menos, o resto do ano é ruim”.
Fonte: Gazeta do Paraná