Em entrevista ao “Jornal de Negócios”, Jaime Silva diz que “não se pode criar a ilusão de que um produtor que tenha uma dúzia de vacas vai continuar a produzir leite, porque não vai. Não vai conseguir ser competitivo".
Para o ministro "é normal que, a curto prazo, passemos de 10 mil para sete mil produtores que produzirão tanto ou mais leite do que hoje".
Numa altura em que o sector em toda a Europa está a enfrentar uma forte queda de preços, nalguns casos acima dos 30%, o governante não nega que haja uma "crise no leite", a qual se traduz "numa queda de rendimento, particularmente entre os pequenos produtores, alguns dos quais estão em dificuldades".
Uma maior consolidação neste sector é, em sua opinião, "incontornável". Jaime Silva sublinha que os menos de dez mil produtores portugueses que hoje existem produzem muito mais leite do que os 80 mil que existiam há 10 anos. Daí que pretenda incentivar a saída de cerca de três mil produtores da actividade a curto prazo. "Criámos medidas para aqueles que têm 100 vacas poderem vir a ter 200, mas também criamos medidas para aqueles que não têm capacidade financeira e queiram sair: daremos 250 euros de ajuda por hectare aos que abandonem a produção", avançou.
A Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite confirma que estes números e salienta que o problema poderá estar nos grandes produtores, que também atravessam dificuldades.
Fernando Cardoso, secretário-geral da FENALAC sustenta ainda que os apoios de que o ministro da Agricultura fala - como o apoio para aumentar o número de animais - ainda não chegaram.
Fonte: www.rr.pt