Daí a indagação sobre provável decisão governamental determinando a elevação da produtividade em escala nada modesta, para que as terras produtivas não se enquadrem em padrões que as tornem passíveis de desapropriação para efeito de reforma agrária.
Despolitizando a questão, pois assim está sendo interpretada como destinada a atender reivindicações do MST, e supostas intenções eleitorais oficiais, trata-se de penalizar um setor fundamental ao bom desempenho da economia nacional, inclusive desestimulando novos investimentos no agronegócio, concorrendo, também, para prejudicar a retomada do crescimento da economia brasileira.
Não existe escassez de alimentos de origem agropecuária no País, a demanda vem sendo atendida normalmente, os preços equilibrados, apesar de ser comercializada no exterior, de modo geral, sob um câmbio desfavorável, conforme observamos acima, além de contribuir para o controle da inflação.
Se existe um setor econômico que pode servir de exemplo de competitividade internacional, a eficácia do agronegócio deve ser mencionada, sem qualquer exagero ou artifício.
Isso não implica em combater ou procurar retardar a reforma agrária, nem mesmo recorrer a críticas sobre o desrespeito, em certos momentos, da legislação que assegura o direito de propriedade, aliás, vigorando recentemente na própria China, a grande nação que ainda é prisioneira de um regime político fechado, convivendo com a economia de mercado, característica do capitalismo.
Vamos admitir e despolitizar, mais uma vez, o tema. No mínimo, o que se pode afirmar é que se trata de um equívoco a tempo de ser evitado pelo Governo federal, pois, se aprovada, seria uma medida esdrúxula ao pretender aumentar os níveis da produtividade agrícola, sob condições negativas aos que produzem.
O bom senso, especialmente para os neófitos, recomendaria às autoridades competentes discutir com maior profundidade uma verdadeira e justa política agrícola que beneficie a todos, desde pequenos, médios e grandes produtores e aos trabalhadores que desejam contribuir para maior produção alimentos fruto do uso da terra com finalidade social e econômica e não nos termos que estariam sendo cogitados pelo Planalto.
Folha de Pernambuco