A média nacional dos preços recebidos pelos produtores de leite ficou em R$ 0,7719/litro em julho, valor 8,93% superior ao registrado em junho deste ano e 3,34% superior ao mesmo mês do ano passado. Os dados foram divulgados hoje pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) e os preços referem-se ao leite entregue aos laticínios em junho em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Rio Grande do Sul e Bahia.
Os técnicos do Cepea observam que os preços do leite, que já haviam subido 7% em junho, mantiveram a trajetória de alta mesmo com o aumento de 0,87% na captação de leite. Apesar do ligeiro aumento de maio para junho, o volume de leite captado em junho ainda foi 4,91% inferior ao do mesmo mês do ano passado. O levantamento do Cepea mostra que o volume de leite captado no primeiro semestre deste ano ficou 6,5% abaixo do verificado em igual período do ano passado.
Segundos os técnicos do Cepea, o aumento no preço pago ao produtor também esteve atrelado às novas altas observadas para o leite UHT (longa vida) no mercado atacadista. "Em junho, a média nacional do produto (considerando os Estados de RS, PR, SP, MG e GO) apurada pelo Cepea foi de R$ 1,96/litro, elevação de 11% em relação à de maio. Especificamente no mercado atacadista do Estado de São Paulo, o UHT foi negociado a R$ 2,13/litro, forte valorização de 11,6% no mesmo período. Nos demais Estados da amostra do Cepea, também foram fortes os reajustes do derivado. Em Goiás, por exemplo, a elevação do UHT foi de 16,8%, com a média a R$ 1,88/litro em junho."
Eles ressaltam que os aumentos nos preços ajudam produtores a cobrir os custos mais elevados de produção neste período em que aumenta a quantidade de concentrado dado ao rebanho, em função da escassez de pastagens. "Esse reforço à alimentação também explica o aumento da produção de leite em junho.
No dia-a-dia, produtores se mantêm atentos à relação de troca de leite por concentrados. Se considerada uma mistura de milho e farelo de soja, no Estado de São Paulo, a relação de troca atual é a mais favorável ao produtor desde setembro de 2007."
Para o próximo pagamento, 56% dos agentes consultados pelo Cepea (que captam 42% do volume de leite da amostra do Centro) apostam em estabilidade nos preços. Outros 27% dos colaboradores do Cepea (ou 39% do leite) acreditam em aumentos nas cotações no próximo pagamento. Já os 17% restantes dos agentes (19% do leite) acreditam em recuos nos preços.
Fonte: Agência Estado