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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Fortalecimento da agricultura no Ceará

Possibilitar a participação popular na gestão pública é meta do novo gestor eleito para Capistrano

Fortaleza. Município da Região do Maciço de Baturité, Capistrano já foi o maior produtor de milho do Estado do Ceará. Segundo dados do IBGE, um terço das residências localiza-se na zona rural, e por isso, o fortalecimento da agricultura familiar em Capistrano é um dos principais pontos do projeto de governo do futuro prefeito do município, Cláudio Bezerra Saraiva. Além da questão agrícola, o futuro prefeito deverá priorizar as políticas públicas de ações para ampliar a Educação, Saúde e Meio Ambiente.

Para revitalizar a agricultura familiar, o futuro prefeito pretende implantar o Programa de Agentes Rurais e a compra antecipada de parte da produção. O principal cultivo atualmente é o de bananas, por isso, Cláudio Saraiva espera estar implantando uma unidade de beneficiamento da fruta.

Para as mulheres verdureiras, o apoio virá com o acesso ao transporte para escoamento da produção e assistência técnica para a melhora da qualidade dos produtos.

Na questão do meio ambiente, o objetivo é reduzir o desmatamento e as queimadas, como forma de conservar a produtividade do solo. Outra pauta do programa de governo do futuro mandatário de Capistrano é a implantação da coleta seletiva de lixo.

Apesar de ter 38% da população formada por estudantes do Ensino Fundamental, Capistrano é um dos municípios do Maciço de Baturité com educação mais deficitária. 25% dos professores não possuem nível superior, segundo o Perfil Municipal de 2007, publicado pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará. “Vamos começar melhorando o sistema de transportes e a questão da merenda escolar”, diz Cláudio Saraiva.

Na Saúde, estão previstos a implantação de uma casa de apoio para os pacientes em tratamento na Capital e a criação de novas unidades de saúde familiar. Como forma de redução de custos, a próxima gestão pretende regionalizar o atendimento das ambulâncias. A proposta é do atual vice-prefeito, José Távora Costa, o Rochinha, que é um dos autores do programa de governo do futuro mandatário municipal.

Cláudio Saraiva venceu a eleição com 53,66% dos votos. A disputa deste ano teve de um lado o atual prefeito, José Renato Lima, e do outro a aliança das oposições, unida em torno do nome de Cláudio. Rompido com o atual prefeito, o vice Rochinha afirma que era pré-candidato, mas somente a união das oposições poderia derrotar a situação este ano.

Segundo Saraiva, a estratégia adotada foi o “pé-no-chão” e o “olho-no-olho” com os eleitores. “Visitamos quase 100% das casas e, agora que vencemos, estamos voltado para agradecer”, afirma, completando que priorizará a participação da população.

Mais informações:

Prefeitura Municipal de Capistrano
Pça. Major José Estelita de Aguiar, s/n
(85) 3326.1115
Fax (85) 3326.1120

Justiça determina a suspensão de apreensões de máquinas e proíbe inclusões de nomes no SPC, Serasa e Cadin

O Tribunal de Justiça concedeu liminar à ação civil pública movida pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso(Famato) contra os bancos, atendendo dois pedidos cruciais para o setor: manter a posse das máquinas e equipamentos com os produtores e proibir a inclusão dos nomes dos inadimplentes nos serviços de proteção ao crédito até o dia 30 de junho de 2009. A liminar foi dada na tarde de ontem (27/11), pelo juiz José Zuquim Nogueira.

Com os dois pontos atendidos, os agricultores poderão dar continuidade à safra 2008/2009, que estava sob ameaça com as apreensões de máquinas e equipamentos que vinham ocorrendo desde o dia 14 de novembro em todo o estado.

Mesmo sendo uma decisão temporária, o presidente da Famato, Rui Prado, afirma que a determinação da Justiça mostra que é necessária uma flexibilização por parte do governo federal. "O agricultor tem interesse em regularizar a situação para que possa dar continuidade aos trabalhos".

"A decisão da Justiça é extremamente importante porque Mato Grosso corria o risco de ter uma parada drástica na agricultura que, com certeza, afetaria profundamente a arrecadação e a geração de emprego e renda no estado", afirma o diretor administrativo da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja/MT), Ricardo Tomczyk.

A liminar determina a imediata exclusão dos nomes dos produtores, filiados ou sindicalizados à Famato, dos cadastros do SPC, Serasa e Cadin, assim como impede a inclusão de novos nomes nos serviços de proteção ao crédito por parte dos bancos.

Medida semelhante vale para as apreensões de máquinas e equipamentos. Os que já foram levados das propriedades terão que ser devolvidos e os produtores ficarão sendo os fiéis depositários dos mesmos. Novas ações de apreensões também estão proibidas.

As apreensões vinham ocorrendo em todas as regiões do estado. "Nos últimos 10 dias percorri 12 municípios para realizar palestras e reuniões com os produtores e constatei que o caos já estava instalado. A liminar concedida dará tranqüilidade para o agricultor retomar às atividades no campo", afirma o presidente daAprosoja/MT, Glauber Silveira.

Silveira lembra que 70% dos produtores no estado não conseguiram pagar os 40% das parcelas das operações de investimentos que vencem este ano até o dia 15 de outubro. A data limite expirou e a partir daí os bancos conseguiram mandados de busca e apreensão de máquinas e equipamentos dos inadimplentes.

A liminar não incluiu outros dois pedidos feitos na ação, que são a suspensão das ações de execuções em andamento e a ordem para que novas execuções não ocorram até o dia 30 de junho de 2009.

FONTE

Pêra no semi-árido

A pêra começa a ter um destino parecido com o da uva: de fruta típica de clima frio, cultivada tradicionalmente nos estados das regiões Sul e Sudeste, está em vias de se estabelecer como uma alternativa de plantio comercial nas áreas irrigadas do Submédio do Vale do São Francisco, onde o clima é quente com pequenas variações ao longo do ano.

Assim como aconteceu com a uva há cerca de 30 anos, ações de pesquisa investigam formas de manejo para adaptar as pereiras às condições ambientais do sertão nordestino. Segundo o engenheiro agrônomo Paulo Roberto Coelho Lopes, da Embrapa Semi-Árido, os estudos que realiza desde maio de 2005 têm encontrado soluções para superar a necessidade de cerca de 400-500 horas de frio que a frutífera requer para produzir nas áreas onde esta fruteira é cultivada.

Para ele, não há dúvida da viabilidade de plantios comerciais na região. Os testes conduzidos até agora com duas variedades procedentes do Instituto Agronômico de Campinas – IAC – (CV 16.30 MG 8 e 12), são todos promissores. As observações de desempenho agronômico das plantas no Campo Experimental de Bebedouro e avaliações da qualidade dos frutos em laboratório da Embrapa Semi-Árido, dão duas certezas ao pesquisador.

Indicativo - Uma, que será possível a produção de pêras nas condições ambientais do Vale do São Francisco; outra, o cultivo poderá ser manejado para a colheita acontecer no segundo semestre, quando o mercado brasileiro é abastecido por frutas importadas da Argentina, Estados Unidos, Uruguai e Chile. Segundo Paulo Roberto, a cultivar 16.30 MG 8 e MG 12 tem apresentado um “excelente” desenvolvimento vegetativo, florescendo e frutificando em quase todos os meses do ano.

Os bons resultados ampliaram os objetivos da pesquisa: das duas variedades testadas inicialmente, passou-se à implantação de 18 novas cultivares, dentre elas algumas das mais cultivadas e comercializadas a nível mundial. Se até meados do ano que vem, for comprovada a viabilidade desses novos materiais, o pesquisador acredita que terá um bom indicativo para poder recomendar o plantio de pêra nas áreas irrigadas do Submédio do Vale do São Francisco.

Favorável – Este vai ser um passo importante para o agronegócio da região, onde está o maior pólo produtor de frutas para exportação do Brasil. A pêra, com o potencial de mercado que tem, pode se firmar como uma alternativa de cultivo além das culturas tradicionais como a manga e a uva, explica Paulo Roberto.

Esta tendência de concentração da oferta de manga e uva em determinados meses do ano causa sérios problemas de comercialização nos mercados interno e externo, especialmente com relação à baixa dos preços de venda. Os negócios em torno da pêra poderá ser uma nova oportunidade para melhorar a economia da região, explica.

Dentre as frutas de clima temperado, a pêra é a terceira mais consumida e mais importada pelo Brasil. O consumo atual é de mais de 150 mil toneladas. A produção nacional anda é insignificante e não alcança sequer 10% do total consumido. As áreas cultivadas estão concentradas nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo e as colheitas acontecem entre os meses de fevereiro a maio.

Diversificação - Paulo Roberto considera que o mercado de peras no Brasil pode vir a ser muito favorável. A demanda atual pode crescer e chegar a 300 mil toneladas ao ano, desde que a cadeia produtiva em torno da cultura oferte ao mercado frutos de qualidade a preços competitivos. Diversificar as opções de cultivo no Submédio é uma estratégia inteligente para chegar ao mercado com oferta de várias frutas em épocas diferentes do ano, explica.

Este é o objetivo do projeto “Introdução e avaliação de cultivos alternativos para as áreas irrigadas do semi-árido brasileiro” que a Embrapa Semi-Árido executa junto com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba – CODEVASF. De acordo com Paulo Roberto é preciso que novos cultivos com alto valor agregado, como é a pêra, sejam adaptadas à região, para que sejam plantados nos novos perímetros públicos de irrigação que se encontram em fase de implantação.

Apenas nos estados da Bahia (Salitre e Baixio de Irecê) e Pernambuco (Pontal) deverão entrar em operação a partir de 2009 mais 30 mil ha irrigados. Em uma dimensão menor, o mesmo irá ocorrer nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Sergipe. Além da pêra como opção de plantio para essas áreas, outra cultura que tem deixado o pesquisador animado é a macieira. Depois da segunda quinzena do mês de dezembro ele irá fazer a primeira colheita em uma área experimental com cinco variedades. E, incrível, os pés estão carregados de maçãs sob o escaldante sol do sertão nordestino.

LINHA DE CRÉDITO PRETENDE DIMINUIR CRISE NO SETOR LEITEIRO

Produtores de leite aguardam uma resposta do governo para apoiar a comercialização do produto e amenizar o impacto da crise na atividade leiteira, que tem convivido com baixos preços pagos pelo volume produzido e com a elevação do custo de produção. A informação é da assessora de economia da Federação de Agricultura e Pecuária de MS (FAMASUL), Adriana Mascarenhas, que esteve na Comissão de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que aconteceu esta semana em Brasília (DF) para discutir as reivindicações do setor. 

A Linha Especial de Crédito (LEC) foi aprovada nesta quarta-feira (26), pelo Conselho Monetário Nacional. Esta medida pretende ajustar o mercado do setor, entretanto ainda falta definir o valor mínimo a ser pago, que deverá ficar em torno de R$ 0,60/litro. O prazo estabelecido para a contratação desta linha é até 30 de junho de 2009.

“Indiretamente todos os produtores de leite serão beneficiados. A partir do momento que as indústrias têm um mecanismo de empréstimo para comprar o produto, ela enxuga o excesso de leite. Ela então poderá estocar o produto e utilizá-los como matéria-prima para fabricação de outros produtos, melhorando assim toda a cadeia produtiva do leite”, explica Adriana Mascarenhas.

Marketing do leite
Segundo Adriana, outro assunto importante debatido pela Comissão de Pecuária de Leite foi o programa de marketing para o leite, o Láctea Brasil. A criação desta campanha nacional e até internacional pretende defender o setor rural e buscar novos mercados, tendo a Láctea Brasil como representante legítima de toda a cadeia produtiva do leite.

“A idéia é que todas as pessoas ligadas a cadeia en! tendam a importância do setor produtivo de leite, e que aconteça a partir da propaganda interna e externa um incentivo na produção e no consumo do leite. A intenção é conseguir abrir novos mercados”, completa Adriana.

 Fonte: Sato Comunicação

Setor de máquinas sente efeito da crise

As empresas do setor de máquinas e implementos agrícolas estão com os negócios paralisados, sem o fechamento de contratos de longo prazo há várias semanas. O alerta foi feito pelo vice-presidente da Abimaq/RS, Marcus Coester, em reunião-almoço da Abimaq, ontem, na Fiergs. Segundo os empresários, as variações do dólar não são boas nem para o importador, nem para o exportador, pois geram insegurança.

Crescem os desembolsos para o setor rural

Brasília/DF

As ações do governo para garantir liquidez ao setor rural aumentaram em 6,8% os desembolsos de crédito a produtores empresariais e familiares, para R$ 25,9 bilhões, no primeiro quadrimestre do atual ano-safra 2008/2009. Um relatório dos bancos operadores do crédito rural, inclusive BNDES, mostra elevação de 6,1% nas linhas para a agricultura empresarial, o que significa um adicional de R$ 1,3 bilhão na comparação com 2007. Esses números agregados, porém, não refletem as queixas dos produtores e das cooperativas, que alegam que o crédito não está chegando a quem precisa. 

O destaque das estatísticas foi um aumento de 103% nos desembolsos lastreados na poupança rural, chegando a R$ 5,8 bilhões. Uma das ações do governo foi justamente elevar, de 65% para 70%, a parcela de aplicação obrigatória sobre a poupança no setor rural (exigibilidades). Além disso, esse avanço parece refletir o bom desempenho de crédito no Banco do Brasil. 

Balanço fechado semana passada mostra elevação de 35,5% nos desembolsos de custeio do BB para o segmento empresarial e de 14% nos empréstimos a familiares. No total, o BB emprestou R$ 14,22 bilhões ao setor entre julho e novembro - resultado 27,6% superior aos R$ 11,15 bilhões de igual período de 2007. O Ministério da Fazenda estima que suas ações elevaram em R$ 19 bilhões a oferta de crédito ao setor desde o aprofundamento da crise. 

Mesmo com estes desempenhos dos bancos operadores do crédito rural, os agricultores sustentam que os recursos não chegaram às mãos de quem mais precisa. Quem aderiu aos termos da última renegociação das dívidas rurais, anunciada em junho, ficou fora do radar dos bancos, que passaram a assediar aqueles que pagaram suas contas em dia. A questão cadastral passou a ser vital. Os bancos admitem ter ficado mais seletivos e avessos aos riscos embutidos no setor rural. "Estamos atendendo aqueles produtores com bom relacionamento com o banco", diz um executivo de banco. A inadimplência cresceu. Os bancos que atendem às fábricas de máquinas e equipamentos começaram inédito arresto de bens em Mato Grosso, após três anos consecutivos de calote. 

O BB registrou elevação significativa do riscos em sua carteira de R$ 60 bilhões no segmento rural. O índice passou de 13,8 em dezembro de 2007 para 14,5 no segundo trimestre deste ano. Em 2003, os créditos de liquidação duvidosa somavam apenas 3% da carteira. 

O aumento nos riscos da atividade e o nível de inadimplência dos produtores já tinham levado as tradings, agroindústrias e fornecedores de insumos a recuar em seus financiamentos ao setor. A Bunge diz ter US$ 250 milhões em contratos não-cumpridos pelos produtores, informa a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA). Pequenas tradings também deixaram de antecipar recursos via Cédulas de Produto Rural (CPRs) para o custeio da safra. "Vivemos uma situação brutal de aperto no crédito. Quem precisa, não tem. Quem tem, tem demais", resume o presidente da associação dos produtores de soja de Mato Grosso (Aprosoja), Glauber Silveira. 

O BB propôs, e o governo começou a avaliar, uma grande reforma no sistema de crédito rural brasileiro, criado em 1965, para elevar a garantia de preços, indenizar as perdas por problemas climáticos e assumir os riscos e de custo de crédito. O diagnóstico é simples. Os produtores pagam altas taxas de juros porque têm altos índices de risco de crédito. O BB estima que os produtores do Centro-Oeste paguem 21% de juros ao ano para manter suas atividades. No Sul, seriam 15%. 

O crédito oficial prevê uma taxa de apenas 6,75%, mas esse cobertor tem ficado curto demais, e atende hoje a apenas um terço da demanda. A solução é estimular a proteção de renda, com seguro rural e "hedge" em mercados futuros, além de descomplicar o crédito, fixar juros por perfil de produtor e evitar novas repactuações de dívidas. Na última, foram rolados R$ 75 bilhões.


Mauro Zanatta


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