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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

SOBRA LEITE NO MERCADO; PREÇO NÃO CAI

A crise da economia mundial chegou ao campo e a produção de leite foi a primeira a ser afetada. Como as exportações caíram, está sobrando leite no mercado. Com isso, as indústrias pagam cerca de R$ 0,65 por litro. Porém, essa redução ainda não chegou aos supermercados. As empresas procuradas pelo Jornal da Cidade informaram que os laticínios não estão repassando essa queda na hora de vender seus produtos. Pior, ainda estão aumentando os valores. A expectativa é que a caixinha fique até R$ 0,10 mais cara.

Para Maurício Lima Verde, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), o leite foi o primeiro produto agropecuário a sofrer com a crise. Como sua produção é constante, os efeitos da recessão externa já foram sentidos entre os pecuaristas. As exportações caíram e o leite sobrou no mercado interno, derrubando o preço do litro.

Lima Verde lembra que há algum tempo o preço do leite estava “ladeira abaixo”, mas que nos últimos meses o preço estava melhorando e chegou a custar mais de R$ 1,00 o litro no meio deste ano. “O leite tirado hoje, tem que ser comercializado hoje, por isso o reflexo da crise é rápido”, explica.

Como o leite é o “gatilho” da crise, Lima Verde acredita que as safras que estão sendo plantadas agora, deverão sentir o peso da crise somente na colheita. Casos como soja, milho, arroz e outros. Porém, ele pondera que como a soja e o milho têm impacto grande no custo do leite, a longo prazo o pecuarista também terá o seu custo reduzido. 

Mas isso ainda está longe do bolso do consumidor. Consultadas pelo Jornal da Cidade, duas redes de supermercado informaram que a expectativa é o aumento do preço da caixnha de leite. Téder Berbel Senis, gestor de compras de uma das maiores redes de Bauru, explica que pelas próximas semanas, a tendência é aumento de R$ 0,06 a R$ 0,10 por unidade.

Ele explica que o setor de laticínios vive um momento de tensão, principalmente nos últimos três meses. “O segmento está com uma alta produção, mas as vendas estão estáveis. Muitos precisaram aumentar o preço de seus produtos”, conta. Ele informa que a rede conseguiu segurar o aumento por algumas semanas, mas acredita que nos próximos dias, essa diferença chegará às gôndolas das unidades.

“Talvez essa queda de preço no campo não apareça para o consumidor até o final do ano. A tendência é dos laticínios não repassarem esse baixo custo na produção pelas dificuldades que têm em caixa”, avalia.

Já em um supermercado no Higienópolis, o preço de algumas marcas já foi reduzido. Para Jair Barbosa de Lima, sócio-proprietário do estabelecimento, a redução do consumo própria da época do ano fez com que algumas empresas baixassem seus preços. 

“O calor e as festas de final de ano inibem o consumo de leite. E o repasse tem sido gradativo. Algumas marcas caíram R$ 0,06. Porém, as mais tradicionais mantiveram os preços”, afirma. 

 Fonte: JCnet

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