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terça-feira, 4 de novembro de 2008

Produtor de leite pede ajuda ao governo federal

O setor leiteiro busca soluções para a queda na rentabilidade da produção. A redução acentuada dos preços pagos aos pecuaristas é o fator agravante de uma crise setorial que tem se firmado no último ano. Representantes da pecuária de leite e deputados da Comissão de Agricultura da Câmara Federal cobraram, hoje (04), mais participação do Governo Federal para garantir estabilidade de renda da atividade. 

Além de investimentos para compra do excedente e a aplicação do leite em programas governamentais, eles querem a isenção da cobrança de PIS e CONFINS sobre a produção leiteira.
O Brasil tem, hoje, um estoque de 1,4 bilhão de litros de leite.

Mesmo com a produção em alta (10% maior que em 2007, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento - Conab), o produtor de leite recebe menos da metade do que recebia no ano passado. Em alguns casos, a receita não é suficiente para pagar os custos da produção, e os agricultores já têm prejuízos. Isso gera desestímulo, o que pode reduzir a produção a tal ponto que obrigue o País a importar leite, como já fez no passado.

O assessor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Marcelo Costa Martins, afirma que a inflação dos alimentos desestimula o consumo de alguns derivados do leite, como o requeijão e o iogurte. A retração no consumo doméstico do produto, aliada à grande oferta e os demais problemas de renda, são fatores determinantes na crise da pecuária de leite nacional. A falta de incentivo ao consumo do produto nacional também é apontado como indício do problema.

A situação é agravada por um descompasso existente no meio da cadeia produtiva. Segundo o deputado Adão Pretto (PT/RS), autor do requerimento que suscitou na realização da audiência pública na qual o tema foi discutido, alguém está sendo favorecido. 

"O consumidor paga o mesmo preço hoje, que o litro de leite custa R$ 0,25 (para ao produtor), que pagava quando o litro custava R$ 1,00", afirma. A indústria paga menos ao agricultor e cobra o mesmo valor do consumidor. O parlamentar ressalta que o produtor é o único prejudicado nessa crise e que dessa forma a produção fica inviável. Ele sugeriu que a Comissão se reuna com os ministério da Fazenda e da Agricultura para discutir e achar solução imediata para a questão.

A desoneração do PIS e COFINS é a medida mais importante segundo o deputado Leonardo Vilela (PSDB/GO). A isenção já é dada a produtores de várias outras culturas, por isso a reivindicação. Para o parlamentar goiano, essa é uma questão decisiva. "Com certeza, a desoneração vai diminuir o custo da produção e melhorar a vida do produtor de leite", afirma.
Para o deputado Moacir Micheletto (PMDB/PR), o governo é capaz de suprir a carência financeira pela qual o setor passa. 

De acordo com dados apresentados durante a audiência, um investimento de R$ 400 milhões pode acabar com o estoque e alavancar os preços novamente. Ele ressaltou a necessidade de cobrar a ação do Governo Federal, que pode comprar o leite e o usá-lo na distribuição de cestas básicas de programas já existentes, para reserva de urgência (como em casos de enchentes) e até na merenda das escolas públicas. E ainda alertou para outra questão. "A sociedade urbana precisa respeitar e apoiar o setor leiteiro, pois até os mais sofisticados lugares e pessoas precisam desse alimento".

Valdir Colatto (PMDB/SC) propôs uma reunião com indústria e produtores para resolver o impasse o quanto antes. A preocupação do deputado é quanto ao prejuízo dos agricultores. "Não é possível que toda crise caia sobre o produtor. Sem produtor, sem matéria-prima, não existe indústria", ressaltou. 

Ele pede mais respeito à cadeia produtiva e diz que pra chamar a atenção da população urbana quanto a sua importância, uma paralisação na produção não é descartada. "A sociedade tem que respeitar quem acorda cedo, trabalha para colocar os produtos no mercado e ainda perde dinheiro. A agricultura vai bem, mas o agricultor vai mal", conclui.

A audiência foi realizada na tarde dessa terça-feira, 04, e contou com a presença de representantes dos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, da Confederação Brasileira das Cooperativas Lácteas, do Conselho Nacional da Indústria de Laticínio, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, Conselho Nacional das Indústrias de Laticínios, da CNA e da Conab.


Fonte: Assessoria de Imprensa 

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