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sábado, 1 de novembro de 2008

Preço do leite cai e oferta cresce bem menos que nos anos anteriores

As sucessivas quedas nos preços do leite juntamente com os custos mais elevados aos produtores têm feito com que o aumento da oferta, típico do segundo semestre, ocorra de forma bem mais comedida. De acordo com o Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-L), o volume de leite recebido pelas empresas em setembro foi somente de 1,25% maior que o de agosto, fazendo com que o Índice de setembro deste ano seja menor que o do mesmo mês do ano passado. Tal fato não ocorria desde abril do ano passado. 

De agosto para setembro, o menor aumento ocorreu no Rio Grande do Sul, de apenas 0,77%, e o maior, de 2,01%, foi em Goiás, conforme as pesquisas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. No mesmo período de 2007, os gaúchos chegaram a apresentar aumento de quase 10%, e os goianos, de pouco mais de 8%. Nem mesmo em 2006, ano de preços estáveis em patamares considerados baixos, o volume de leite cresceu tão pouco. No acumulado de maio a setembro deste ano, o aumento foi de apenas 3,9%; no mesmo período de 2007, foi de 32% e de 2006, 15%. 

Desde julho, quando os preços começaram a cair, a média ponderada nacional (RS, SC, PR, SP, MG, GO e BA) já perdeu 15 centavos por litro. Conforme o Cepea, em outubro, o preço médio bruto foi de R$ 0,6096/litro – em junho, último mês antes de se começarem as quedas, a média era R$ 0,7633/litro. 

A combinação de baixo crescimento da oferta com preços em queda indica a existência de estoques nas indústrias. De fato, o volume recebido pelas empresas no acumulado deste ano ainda é 16,55% maior que no mesmo período de 2007. 


OUTUBRO

Segundo o Cepea, o preço médio do leite pago ao produtor em outubro (referente ao leite entregue em setembro) caiu 7,3%, ou 4,8 centavos, em relação ao pagamento de setembro. A menor retração, de 0,75%, ocorreu na Bahia, com o litro a R$ 0,6142; em situação oposta, esteve Santa Catarina, onde a retração chegou a 12%, com o preço médio a R$ 0,5156/litro, sem o desconto do frete e dos impostos.

São Paulo, que até setembro apresentava quedas menores que os de Minas e Goiás, desta vez viu o preço do litro recuar 6,8 centavos, com a cotação chegando a R$ 0,6495/litro (bruto). Minas e Goiás, por sinal, tiveram retrações relativamente pequenas neste mês. Para os produtores mineiros, a queda por litro foi de pouco mais de 3 centavos e, para os goianos, pouco acima de 4 centavos, com as médias, respectivamente, a R$ 6314 e R$ 0,6293/litro (bruto). 

Para o próximo mês, no entanto, começa a figurar a perspectiva de mudança da tendência. Cerca de metade dos representantes de laticínios e cooperativas ouvidos pelo Cepea acredita em manutenção dos atuais valores para o pagamento de novembro. A outra metade, no entanto, continua sinalizando mais um mês de queda. É importante observar as expectativas regionalmente. No Sul, 77,4% dos compradores consultados pelo Cepea prevêem estabilidade dos preços, enquanto que para MG, SP e GO, esta estimativa é compartilhada por 32% dos compradores.


Fonte: Cepea-Esalq 

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