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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Produtores à espera de novo prazo

A cinco dias do vencimento do prazo extra concedido pelo governo federal para o pagamento das parcelas de investimento e custeio, os agricultores mato-grossenses têm esperança de que haja uma nova dilatação de prazos. Na manhã de ontem, em reunião com representantes do Ministério da Fazenda, em Brasília, os produtores pediram que todas as dívidas de investimento com vencimento em 2008 sejam prorrogadas. A categoria alega que, sem esta medida, a nova safra que começa a ser plantada será travada. 

O presidente do Sindicato Rural de Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá) e diretor administrativo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Ricardo Tomczyk, que participou da reunião, disse que na próxima semana o governo federal deve anunciar um novo pacote de apoio aos produtores. Apesar de não ter detalhes sobre o que será editado, ele acredita que entre as medidas deve estar a concessão do novo prazo. Se a previsão se concretizar, será a segunda vez que as dívidas são adiadas neste ano. 

Na opinião de Tomczyk, é irresponsabilidade exigir dos produtores o pagamento das parcelas no momento em que está faltando dinheiro para plantar. “A inadimplência já é fato. O produtor não pode tirar o dinheiro para abastecer o trator para pagar dívidas antigas. Não dá para tirar o dinheiro do capital de giro”, destacou. 


FÔLEGO 

A prorrogação das parcelas, da maneira como querem os produtores, injetaria cerca de R$ 1 bilhão na agricultura local nesta safra. O valor equivale ao somatório das parcelas que vencem neste ano. Segundo Tomczyk, a estimativa é de que o plantio das culturas de soja, milho e algodão, juntas, demandarão R$ 12,2 bilhões, sendo que existe um déficit de R$ 2,79 bilhões. Com a prorrogação, o ‘rombo’ reduziria para R$ 1,79 bilhão no Estado. 


MECANISMOS 

Na última safra, que ainda está sendo comercializada, o governo federal suspendeu o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) e o Prêmio de Risco de Contrato Privado (Prop) para a soja. Com a elevação no preço da commodity no mercado internacional, o entendimento foi de que era melhor o governo não intervir no mercado. Agora, com a nova queda no valor do grão, os produtores querem que os mecanismos voltem a ser aplicados para garantir uma política de preços. 

Tomczyk explicou que nem mesmo a desvalorização do real em relação ao dólar compensou a queda nos preços da soja internacionalmente. A saca de 60 quilos está sendo comercializada atualmente por cerca de US$ 15. O valor em si é maior do que o que foi pago na safra passada, quando cerca de 70% da produção foi vendida antecipadamente por valores entre US$ 12 e US$ 14. O que não deixa a equação deste ano fechar, segundo ele, é o preço dos insumos, que acumulam alta de em média 43%. 


Anelize Moreno


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