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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Pesquisa melhora a qualidade da gordura do leite

Uma pesquisa desenvolvida pela Embrapa Gado de Leite em parceria com a Universidade Federal de Mina Gerais (UFMG) comprova que pequenas mudanças na dieta de vacas leiteiras podem trazer bons resultados para a saúde do consumidor. Os estudos apontaram a produção de uma gordura mais saudável, ou seja, com melhor perfil nutricional. O trabalho recebeu o Prêmio de Incentivo à Pesquisa “Dílson Teixeira Coelho” durante o XXI Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia de Alimentos, realizado na semana passada em Belo Horizonte.

A pesquisa, desenvolvida há cerca de um ano, consiste em adicionar diferentes níveis de óleo de soja na dieta das vacas. O Objetivo é melhorar a qualidade da gordura do leite, avaliada por meio de análise da manteiga produzida a partir do leite dos animais. As análises foram feitas na Embrapa Gado de Leite e no Laboratório de Bioquímica de Alimentos da UFMG.

Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Marco Antônio Sundfeld da Gama (um dos pesquisadores envolvidos no trabalho), os resultados mostraram redução de 35% do teor de ácidos graxos saturados de cadeia média, que contribuem para o entupimento de artérias. Foi observado ainda aumento de 30% do teor de ácido oléico, um ácido graxo encontrado no azeite de oliva, que possui efeito anti-aterogênico, ou seja, é bom para o coração. O estudo também mostrou que o teor de ácido linoléico conjugado (CLA), um composto que possui inúmeras propriedades benéficas à saúde, quadruplicou.

A pesquisa, no entanto, aponta um problema na estabilidade oxidativa do produto, ou seja, menor durabilidade. “Embora esta gordura do leite tenha uma composição mais adequada à saúde humana, a maior concentração de ácidos graxos mono e polinsaturados a torna também mais suscetível à oxidação, sugerindo a necessidade de adição de antioxidantes ao produto, o que vai ser objeto de novos estudos”, revela o pesquisador.

Gama acredita que o trabalho poderá contribuir para reverter a imagem negativa que o consumidor tem da manteiga, conseqüência do seu elevado teor de ácidos graxos saturados. Ele lembra que Muitas pessoas passaram a substituir a manteiga por margarina, acreditando que isso reduziria o risco de doenças coronárias. “Entretanto, isso não foi observado, porque os ácidos graxos “trans” presentes nas margarinas se mostraram mais deletérias do que os ácidos graxos saturados presentes na manteiga”, ponderou.

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