Saldo da balança comercial dos produtos teve aumento 444%; Venezuela é o maior comprador As exportações de produtos lácteos atingiram o patamar recorde de US$ 398 milhões no acumulado de janeiro e setembro, crescimento de 160,5% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).
As importações, no mesmo intervalo aumentaram 48% para US$ 162 milhões e o saldo da balança comercial de lácteos subiu de US$ 43 milhões entre janeiro e setembro de 2007 para US$ 236 milhões, incremento de 444%.
Os resultados, de acordo com o presidente da Comissão de Pecuária Leiteira, Rodrigo Alvim já superaram o valor exportado em todo o ano de 2007, de US$ 299 milhões.
Entre os principais produtos exportados estão o leite em pó integral, que respondeu por 68,4% do total vendido e o leite condensado, com participação de 13,3%.
Ao longo de 2008, conforme destacou Alvim, a Venezuela se firmou como o principal país importador dos produtos lácteos brasileiros, tendo sido responsável por 47,3% da compra de leite em pó e por 3,8% do condensado.
As exportações brasileiras estão concentradas em apenas um país comprador, ressaltou Alvim.
Apesar dos números recordes, o presidente da Comissão de Pecuária de Leite da CNA alertou para a queda no valor das exportações em dólares.
A cotação do leite em pó, por exemplo, caiu de US$ 4.630 a tonelada, para um patamar entre US$ 2.750 e US$ 2.900 a tonelada.
Os resultados alcançados pelas vendas externas do Brasil ainda refletem o preço mais alto do produto, observou.
Queda de Consumo Atualmente, conforme Alvim, o que se observa é uma total reversão do cenário projetado no final do ano passado, quando os preços estavam favoráveis ao produtor e a demanda aquecida.
De acordo com informações da Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABLV), as projeções são de que o consumo tenha caído entre 6% e 8% no primeiro semestre deste ano.
A queda, aliada ao aumento da oferta de leite no mercado interno e à retração das cotações no mercado internacional têm se refletido diretamente nos preços internos.
Atualmente, o valor médio pago pelo litro de leite ao produtor está na casa dos R$ 0,65.
Os preços atuais não cobrem os custos de produção que já superaram R$ 0,70/litro, aponta.
Câmbio e Crise Os resultados da balança comercial de lácteos poderiam ser mais animadores também levando em consideração a apreciação da moeda americana em relação ao real.
Felizmente o dólar está subindo, diz ele.
No entanto, há o temor por parte dos produtores de um impacto também nos aumentos dos custos de produção, por conta da elevação nos preços dos insumos.
Por outro lado, segundo Rodrigo Alvim, a crise financeira internacional poderá provocar uma retração no consumo.
Em época de crise os produtos lácteos são os primeiros que deixam de ser consumidos, lembra.
Para o presidente da Comissão de Pecuária Leiteira da CNA, o país deverá atingir o patamar de US$ 600 milhões em exportações este ano.
No entanto, ainda não há como prever qual a real dimensão que a crise poderá ter no setor.
Com certeza iremos exportar mais do que o ano passado, mas não com preços que remunerem a atividade, avalia.
PIB do Agronegócio A CNA divulga hoje (9) estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária e do agronegócio brasileiros.
A previsão foi feita com base em levantamento da CNA e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea-USP).
Também serão avaliados possíveis reflexos da atual conjuntura de crise econômica mundial no desempenho do setor.
Será divulgada também a previsão de faturamento bruto do setor para 2008, estimado com dados até setembro.
A análise dos resultados da balança comercial do agronegócio, nos primeiros nove meses do ano, completa os dados sobre o desempenho do setor.
Fonte: Agronline