A segunda etapa da Campanha de Vacinação contra a Febre Aftosa será encerrada amanhã. Ao longo do mês, foram realizadas nove caravanas no Interior do Estado para mobilizar criadores, prefeitos, secretários de agricultura, sindicatos rurais e a população. Porém, ainda não se tem um resultado parcial referente à quantidade do rebanho vacinado. De acordo com a Assessoria de Imprensa da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), a vacinação do rebanho só é confirmada quando o criador entrega a nota fiscal referente à compra da vacina à Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri) ou à Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce). Mesmo com o fim da segunda etapa, os criadores ainda têm um prazo de 15 dias para a entregar a documentação, por isso a demora em concluir os resultados da vacinação.
As caravanas percorreram nove cidades. São elas: Brejo Santo, Campos Sales, Beberibe, Redenção, Jaguaribe, Icó, Granja, Ipaporanga e Reriutaba. De acordo com o coordenador da Campanha de Vacinação, Joaquim Sampaio, cada município reuniu cerca de 120 pessoas. O objetivo das caravanas foi promover a educação sanitária e incentivar a participação dos criadores na campanha. Eles foram orientados quanto aos procedimentos de vacinação e da importância de sua comprovação. As reuniões contaram com a presença do secretário-adjunto da Secretaria do Desenvolvimento Agrário, Antônio Amorim, e de demais representantes da Adagri, Ematerce e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A vacinação é considerada uma das exigências do Mapa para que o Ceará saia da classificação de “risco desconhecido” e passe para “médio risco”.
Auditoria
Uma auditoria com técnicos do Ministério está marcada de 24 a 28 de novembro. A visita foi informada pelo titular da SDA, Camilo Santana, após uma visita ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, em Brasília, junto com o governador do Estado, Cid Gomes. Com a visita dos técnicos, a classificação da febre aftosa será reavaliada no Estado, podendo mudar. A previsão é que o resultado da nova classificação da doença seja divulgado em um prazo de 60 a 90 dias.
Conforme a SDA, o Governo do Estado já investiu, desde 2007, mais de R$ 4 milhões em campanhas de vacinação e adequação da estrutura para o combate à doença. Para ter uma mudança na classificação, o Ministério informou à Secretaria que devem ser cumpridas algumas exigências, como o fortalecimento das 20 unidades da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri), compra de veículos, cadastro de todos os criadores cearenses e, ainda, o fortalecimento das barreiras móveis no Estado. Parcialmente, o Ceará possui mais de 107 mil propriedades rurais e tem um rebanho estimado em mais de 2,3 milhões de cabeças de gado.
Índice
Atualmente, o Ceará é um dos últimos cinco Estados do Brasil classificados como “área de risco desconhecido” em relação à febre aftosa, a pior atribuída pelo Mapa. Somente no primeiro semestre desse ano, a etapa da campanha de vacinação atingiu 90,3% dos animais de todo o Estado. Ano passado, o índice atingido para o primeiro e segundo semestres ficou em 91,27% e 89,75%, respectivamente.
Prejuízos
Caso o Estado do Ceará não mude a classificação quanto à febre aftosa, os prejuízos em relação à economia continuam e comprometem ainda mais a pecuária local. No Nordeste, o comércio de carne e produtos derivados só é permitido com os Estados do Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas, que possuem a mesma classificação de “risco desconhecido”. No entanto, Piauí e Rio Grande do Norte devem ter uma nova classificação em relação à doença, com isso não poderão mais comercializar carne com o Ceará. Desta forma, as relações econômicas do Estado com os demais do Nordeste ficam ainda mais prejudicados.
O comércio com Alagoas ainda tem a dificuldade da ausência de fronteira entre os dois Estados.
A possibilidade de um registro de Febre Aftosa no Ceará, depois de 12 anos sem a doença, poderá estender o embargo inclusive a outros setores, como o comércio de vegetais e frutas. Além disso, o prejuízo também afetaria diretamente a diminuição da produção no Estado e os riscos à saúde humana.
TIPOS DE VÍRUS
Doença tem rápido contágio
Fortaleza. A febre aftosa é uma enfermidade altamente contagiosa que ataca a todos os animais de casco fendido, principalmente bovinos. Dá-se em todas as idades, independente de sexo, raça e clima, porém há diferenças de susceptividade de espécie. A doença é produzida por até seis tipos de vírus, classificados como A, O, C, SAT-1, SAT-2 e SAT-3, sendo que os três últimos foram isolados na África e os demais apresentam ampla disseminação. Não há transmissores de febre aftosa, o vírus é veiculado pelo ar, água e alimentos, apesar de ser sensível ao calor e à luz.
A imunidade contra um desses vírus não protege contra os outros. Além disso, pesquisadores constataram alguns subtipos dos vírus citados, com a particularidade de que uns causam ataques mais graves que outros e alguns se propagam mais facilmente. Esta complexidade apresenta um aspecto muito desfavorável, pois um animal atacado por um tipo de vírus, embora ofereça resistência ao mesmo, é ainda suscetível aos outros tipos e subtipos. O surgimento da febre aftosa no animal vem acompanhado de febre e perda de apetite, sob as formas de quebra da produção leiteira.
Rebanhos imunizados
No Interior do Estado, muitos municípios já estão conseguindo imunizar seus rebanhos entre 90% e 100% das cabeças. Um deles é Itaiçaba, que conta com o apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ematerce) durante as campanhas de vacinação contra a febre aftosa. A gestão municipal disponibilizou carro e acondicicionamento adequado para o transporte da vacina de Fortaleza até o curral do criador, na zona rural. A campanha de vacinação no município aconteceu durante todo o mês de outubro. Desde 2005, o município de Itaiçaba vem vacinando 100% do rebanho. Este ano, foram três mil cabeças de gado imunizadas durante a campanha lançada pelo governo estadual.
Segundo o secretário de Agricultura do município, Marcos Vinícios Silva Vieira, a equipe de vacinadores e os equipamentos para a aplicação diminuem, significativamente, o custo da vacina para o criador. “A gravidade da aftosa não decorre das mortes que ocasiona, mas principalmente dos prejuízos econômicos, atingindo todos os pecuaristas, desde os pequenos até os grandes produtores. A doença pode levar o animal à morte, principalmente os animais jovens”, explica Marcos Vinícios.
O secretário também ressalta maior rigor no acompanhamento da imunização. “A exportação da carne e dos produtos derivados tornam-se difíceis. É preciso vacinar regularmente o gado no período de 6 em 6 meses, a partir do 3º mês de idade ou quando o veterinário recomendar”.
Os efeitos da vacina somente aparecem depois de 14 a 21 dias de sua aplicação. A campanha de vacinação contra a doença, este ano, teve o objetivo de cumprir as metas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), para que o Estado atinja a situação de médio risco da doença, quando ficará livre de barreiras sanitárias, podendo comercializar seu rebanho com outros Estados. O controle da aftosa é essencial para assegurar a viabilidade da pecuária nacional.