As exportações brasileiras de mel dos primeiros oito meses do ano já superaram a receita de todo o ano de 2007. Até agosto, o País já negociou US$ 24,720 milhões, desempenho superior aos US$ 21,2 milhões alcançados em todo o ano passado. Na comparação com o período de janeiro a agosto, o resultado de 2008 também é mais favorável. No período, a receita cresceu 67,32% e as quantidades comercializadas (10,7 mil toneladas) representaram um aumento de 15,7% em relação aos números de 2007.
A explicação para esse resultado está no fim do embargo europeu ao mel brasileiro. O País ficou quase dois anos sem poder comercializar produtos apícolas com a Europa. Com a suspensão do embargo, em março deste ano, o Brasil retomou o comércio com a União Européia (UE), elevando os valores exportados em relação ao ano passado, quando o País contou praticamente apenas com o mercado norte-americano como comprador.
Os dados constam de levantamento consolidado pelos consultores da Unidade de Agronegócios do Sebrae e coordenadores nacionais da Rede Apicultura Integrada Sustentável (Rede Apis), Reginaldo Resende e Lázara de Fátima Borges. A referência é o Sistema de Análise das Informações de Comércio Exterior via Internet (Alice-Web) da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Até agosto deste ano, São Paulo lidera a lista dos maiores estados exportadores de mel, com US$ 7,7 milhões. Na seqüência, estão Rio Grande do Sul (US$ 4,3 milhões), Ceará (US$ 3,5 milhões), Paraná (US$ 3,3 milhões), Piauí (US$ 2,8 milhões), Santa Catarina (US$ 1,9 milhão), Rio Grande do Norte (US$ 509,6 mil), Minas Gerais (US$ 488,3 mil), Maranhão (US$ 187,9 mil), Mato Grosso (94,5 mil) e Pernambuco (US$ 71,7 mil).
Nos oito primeiros meses do ano, as exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos (EUA) totalizaram US$ 20,4 milhões, o equivalente a 8,9 mil toneladas de mel. O resultado representa aumento de 55,7% em valor e de 6,8% em peso, na comparação com igual período de 2007.
Em agosto, o País exportou 301,2 mil quilos de mel para a Alemanha, ao preço de US$ 2,26/Kg, abaixo da média internacional de US$ 2,45/Kg. O consultor Reginaldo explica que esse preço menor pode ser conseqüência de contratos de exportação firmados antes do embargo por importadores alemães com alguns entrepostos brasileiros. No mesmo mês, os EUA importaram o equivalente a US$ 1,6 milhão de mel do brasileiro, representando mais de 57,8% do valor total comercializado pelo Brasil com o mercado externo. “Esse montante já representou uma redução de quase 13% no valor das exportações de mel brasileiro para os EUA, na comparação com agosto do ano passado. É o resultado da volta, mesmo que lenta, das exportações para o mercado europeu”, avalia Reginaldo. Desempenho no ano.
Na comparação com julho deste ano, houve queda no valor e nas quantidades exportadas em agosto. Nesse mês, as exportações alcançaram US$ 2,697 milhões, frente aos US$ 3,729 milhões de julho, quando o mercado já apresentava queda nas vendas na comparação com junho. O preço também caiu. Em julho o quilo foi vendido, em média a US$ 2,56. Em agosto, esse preço foi de US$ 2,45. Nas quantidades exportadas, houve uma diferença, para menor, de cerca de 360 mil quilos (1,457 milhão de quilos, em julho, e 1,101 milhão de quilos, em agosto). Em relação a agosto do ano passado, o mesmo período em 2008 foi mais positivo. Apesar de exportar menor quantidade (1,101 milhão de quilos frente 1,301 milhão de quilos em 2007), o retorno financeiro foi maior (US$ 2,697 milhões frente US$ 2,156 milhões em agosto de 2007). O desaquecimento das exportações, notado desde julho, poderá se estender para os próximos meses, visto que historicamente as exportações brasileiras de mel sempre apresentam sazonalidade, com redução dos negócios no segundo semestre. Soma-se a isso a possibilidade de agravamento da recessão da economia americana.