O mês de agosto foi considerado um período atípico para as exportações de carne suína brasileiras, que apresentaram uma retração em volume, em comparação ao mesmo período do ano passado. Os embarques do mês de agosto somaram 48,08 mil toneladas, volume que representa uma queda de 25,9% em relação a agosto de 2007 e retração de 14,3% sobre as exportações de julho.
Na opinião do secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Suínos do Rio Grande Sul (Sips), Rogério Kerber, a queda se deve principalmente à crise mundial e também ao início do recuo nos preços de commodities como milho e soja. "Além disso, em agosto os clientes passaram a postergar o fechamento dos negócios, em função da alta do dólar, aguardando um reposicionamento para baixo", explica Kerber. Segundo ele, a expectativa é de que esse quadro se reverta até meados de setembro.
Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, a queda de agosto não chega a preocupar, pois em 2007 a exportação foi muito expressiva.
Apesar da queda em volume, as exportações de carne suína de agosto mantiveram o desempenho positivo em receita, já que se negociou muito entre os meses de junho e agosto. Os embarques do mês passado somaram US$ 148,3 milhões, aumento de 21,3% em comparação ao mesmo período do ano passado.
Com o desempenho do mês passado, as exportações brasileiras de carne suína totalizam ao longo do ano 374,8 mil toneladas, volume que representa uma queda de 4,2% sobre os oito primeiros meses do ano passado. Em receita, as vendas totais já acumulam US$ 1,02 bilhão, aumento de 34,9% em comparação à receita das exportações no mesmo período de 2007. "Continuamos sustentando que as exportações em 2008 deverão superar em volume as do ano passado. Em renda, elas serão significativamente superiores, em virtude do maior preço médio", afirma Camargo Neto.
Em agosto, a tonelada da carne suína exportada pelo Brasil teve um preço médio de US$ 3.086, valor que supera em 63,7% o preço médio de agosto do ano passado. Na média anual, o valor do produto nacional também apresenta crescimento e está atualmente em US$ 2.735 por tonelada, 40,8% superior ao acumulado dos oito primeiros meses de 2007.
Segundo Camargo Neto, o mercado interno continua muito firme, sustentado pelo fortalecimento do poder aquisitivo e pela elevação do preço da carne bovina. Ele lembra que alguns destinos deixaram de ser atraentes em função da valorização dos preços no mercado interno. "As empresas não apresentam estoques excedentes, pois as vendas para este período do ano vão muito bem. Também no campo, os suínos têm sido encaminhados prontamente para o abate, não existindo sobra de animais", afirma.
Fonte: Jornal do Comércio