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sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Fundação Bill Gates envia missão para conhecer pesquisas com mandioca

Uma equipe de consultores contratados pela Fundação Bill e Melinda Gates estará no Brasil na primeira semana de setembro para conhecer as pesquisas e as tecnologias para o desenvolvimento da cultura da mandioca. A Fundação pretende criar um fundo na África para aumentar a produtividade e elevar o valor nutricional da mandioca, segunda maior fonte de energia na dieta dos africanos, e assim, ajudar a amenizar os efeitos da pobreza na África e Índia. As pesquisas da Embrapa estão na pauta da missão. A visita está sendo coordenada pela pesquisadora Maria José Sampaio, da Embrapa Sede (Brasília-DF), que representará a Assessoria de Relações Internacionais da Embrapa durante todas as etapas. A primeira delas, dia 01.09, será em Palmital (SP). Lá, a missão, acompanhada de pesquisadores da Embrapa, ITAL, IAC e IAPAR conhecerá a empresa Halotek-Fadel, especializada no cultivo mecanizado e no processamento do amido de mandioca. A pesquisadora Marília Nutti, da Embrapa Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro-RJ), estará presente, pois coordena as pesquisas para biofortificação de alimentos com ferro, zinco e betacaroteno (pró-vitamina A). A pró-vitamina A ajuda a combater a cegueira, problema comum em dietas pobres, e a biofortificação tem conseguido elevar os teores de betacaroteno na mandioca e na batata-doce. De São Paulo, o grupo segue para Brasília, dia 2.09, para reunir-se com a diretoria da Embrapa e pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Depois, em Cruz das Almas (BA), nos dias 3 e 4.09, os consultores conversarão com a Embrapa Mandioca e Fruticultura sobre estratégias de pesquisa e desenvolvimento da cultura no Brasil e no exterior. A missão também acompanhará a pesquisadora Wania Fukuda, líder da biofortificação da mandioca, na colheita de variedades com maiores teores de betacaroteno em comunidades rurais. São variedades com até 12 microgramas/kg de betacaroteno, de polpa amarela, macias, sabor agradável, cozimento rápido e boa produtividade. A mandioca é originária do Brasil e, segundo Maria José, o país tem muito a contribuir nas áreas de pesquisa e transferência de tecnologia para manejo, conservação e melhoramento genético. Marília Nutti ressalta que depois do laboratório, a questão mais crítica é fazer os resultados chegarem no campo, na indústria e no mercado. “No entanto, temos experiências bem sucedidas nessas áreas com pesquisas participativas e parcerias nacionais e internacionais”, pontuou. De acordo com FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), a mandioca tem forte presença na África tropical, Ásia e América Latina. É o quarto cultivo mais importante nos países em desenvolvimento, com produção estimada em 226 milhões de toneladas em 2006. A mandioca é alimento básico para quase um bilhão de pessoas em 105 países, proporcionando até um terço das calorias diárias. No entanto, o rendimento médio é de apenas 20% do que poderia ser obtido em melhores condições de cultivo e processamento. As pesquisas e a transferência de tecnologias podem elevar a produtividade, reduzir as perdas na lavoura e melhorar o valor nutricional das raízes.

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