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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Ceará se transforma em uma nova terra de oportunidades



O agricultor Jackson José Lima de Souza, 39 anos, mal consegue esconder a alegria: depois de meses de plantio, colheu a primeira safra de mamão tipo formosa. A produção, oriunda de dois hectares de terras no Distrito de Irrigação Tabuleiro de Russas (Distar), garante renda para o sustento dele, da esposa e dos dois filhos, além dos salários pagos a dois trabalhadores rurais. A melhor notícia é que toda a safra — entre 80 e 100 toneladas — já está vendida, rendendo de R$ 20 a R$ 22 mil por hectare.Jackson é um dos 48 produtores parceiros da Frutacor, empresa-âncora considerada modelo de integração com pequenos fruticultores da Chapada do Apodi — vasto platô que une o Rio Grande do Norte ao Ceará —, onde são produzidas, atualmente, milhares de toneladas de frutas destinadas aos mercados interno e externo. A Frutacor entra com assistência técnica, garantia de comercialização e liquidez no pagamento. Os agricultores, com a terra, insumos e mão-de-obra.Força do campoO agronegócio da fruticultura irrigada é apenas um dos exemplos bem sucedidos no Ceará. Há registro de bons resultados também nas áreas da floricultura e agropecuária. Em busca de experiências como a de seu Jackson e do empresário João Teixeira, dono da Frutacor, o Diário do Nordeste percorreu mais de 2.000 quilômetros, pelo Interior do Estado — chegando até as cidades vizinhas de Mossoró e Baraúnas, no Rio Grande do Norte, mostrando a força do campo e a possibilidade de transformação na vida dos cearenses. Em uma semana, a reportagem acompanhou o preparo da terra para o plantio, do Icapuí até Limoeiro do Norte. Pode ver também os estragos causados pela chuva nas lavouras de melão em Mossoró.A fruticultura é, sem dúvida, o lado mais desenvolvido, sobretudo quanto o assunto é o mercado internacional. As exportações de frutas do Estado saíram de US$ 874 mil, em 1994, para R$ 77,2 milhões, em 2007. Ou seja, cresceram 88 vezes. No mesmo intervalo, as vendas externas brasileiras de frutas frescas cresceram cinco vezes, passando de US$ 127,5 milhões (1994) para US$ 642,7 milhões (2007). Hoje, pelo menos duas das quatro maiores multinacionais da área de fruticultura já produzem em terras cearenses: a Fyffes e a Del Monte Fresh. A primeira atua de forma consorciada com a brasileira Nolem (do inglês melon, lido de trás para frente), na produção de bananas para exportação, na Chapa do Apodi. A segunda produz abacaxi e melão, também na região irrigada com as águas do Rio Jaguaribe.


SAMIRA DE CASTRO
Repórter

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